Política

Bolsonaro exalta policiais que cometem execuções e critica ‘ativismo’ da Justiça

‘Vem a imprensa dizer que tem 20 autos de resistência. Tinha que ter 50! É sinal de que ele trabalha. De que ele faz a sua parte’

Presidente Jair Bolsonaro e ex-ministro Sergio Moro em cerimônia de lançamento de campanha do pacote anticrime. (Foto: Alan Santos/PR)
Presidente Jair Bolsonaro e ex-ministro Sergio Moro em cerimônia de lançamento de campanha do pacote anticrime. (Foto: Alan Santos/PR)
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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) lançou, nesta quinta-feira 3, a campanha publicitária do pacote anticrime, carro-chefe das propostas do ministro da Justiça, Sérgio Moro. São cinco propagandas com relatos de testemunhas de assassinatos que reclamam de impunidade aos criminosos responsáveis. Na defesa das peças, ele exaltou policiais que cometem execuções a atacou a imprensa e o Judiciário.

Os filmes custaram 10 milhões de reais para os cofres públicos e defendem pontos já derrubados em análise preliminar do Congresso Nacional, como o excludente e ilicitude e a prisão em segunda instância. A campanha será veiculada na televisão, no rádio, no cinema, na internet e no mobiliário urbano. O objetivo é convencer a população a apoiar o projeto.

Em discurso, o ministro Sérgio Moro citou o recorde de 60 mil assassinatos no Brasil em 2016 e afirmou que, nos anos anteriores à gestão Bolsonaro, o país era uma “terra sem lei”.

“Há não muito tempo, havia uma certa percepção de que vivíamos em uma terra sem lei e sem justiça. Não raramente, filmes que encerravam com fugas de criminosos terminavam com cenas em pousos no Rio de Janeiro. Nós vivenciamos, nos últimos cinco anos, principalmente, revelações de um grande sistema de corrupção que gerava até mesmo incredulidade daqueles que tinham conhecimento desses fatos”, disse.

Em seguida, Bolsonaro discursou em favor de policiais que, segundo ele, foram presos injustamente por “excesso”.

“Quantas vezes visitei o presídio da Polícia Militar em Benfica, no Rio de Janeiro? Conversando com os homens da segurança, que estavam lá no comando do estabelecimento prisional, bem como conversando com policiais presos. Conversando com eles, não mais que um sentimento, há certeza de que lá dentro tinha muito inocente. Tinha culpado, tinha. Mas também tinha muito inocente. Basicamente por causa de quê? Excesso. Pode, de madrugada, na troca de tiros com um marginal, se o policial dá mais de dois tiros, ele ser condenado por excesso? Um absurdo isso daí”, disse.

O presidente também criticou o que chamou de “ativismo em órgãos da Justiça” e pediu maior proteção aos policiais.

“O ativismo em alguns órgãos da Justiça, do MP, na política, buscar cada vez mais transformar autos de resistência em execução. É doloroso você ver um policial chefe de família preso por causa disso. Muitas vezes a gente vê um policial militar mais conhecido ser alçado para uma função, e vem a imprensa dizer que tem 20 autos de resistência. Tinha que ter 50! É sinal de que ele trabalha. De que ele faz a sua parte e que ele não morreu. Ou queria que nós providenciássemos um emprego para a viúva?”, afirmou.

O governo apresentou três vídeos da campanha durante a cerimônia. Em um dos episódios, chamado de “O saidão”, uma mulher chamada Virgínia afirma que seu marido foi morto em casa a tiros, um dia após o Dia das Mães. Virgínia critica Justiça por beneficiar um dos assassinos à saída no Dia das Mães quando já estava preso.

Bolsonaro em visita a Feira Internacional de Defesa e Segurança, em 2015

“Ele não roubou um pacote de bolacha. Ele roubou uma família inteira. Ele acabou com a paz de uma família”, relata. Em seguida, aparece o slogan da propaganda, “Quando a lei não é rigorosa, quem é punida é a vítima”.

Em outro episódio, uma mulher que se identifica como Luiza defende a prisão após condenação em segunda instância para agilizar o sistema judicial. O item foi retirado em julho do pacote de Moro pelo grupo de trabalho que analisa o projeto na Câmara dos Deputados. Os itens excluídos no grupo de trabalhos podem ser reinseridos após discussão no plenário da Casa. Após votação, o texto seguirá para o Senado.

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