Política

Bolsonaro diz ter “muito mais poder” com seus decretos do que Maia

‘Apesar de você, na verdade, fazer as leis, eu tenho o poder de fazer decreto’, disse Bolsonaro ao presidente da Câmara

Bolsonaro diz ter “muito mais poder” com seus decretos do que Maia
Bolsonaro diz ter “muito mais poder” com seus decretos do que Maia
Foto: Isac Nóbrega/PR Foto: Isac Nóbrega/PR
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Apesar dos esforços para conseguir conversar com os poderes a fim de estabilizar a situação do governo, Jair Bolsonaro ainda joga pelo seu poder. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o presidente teria dito a Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, que tem “muito mais poder” do que ele por meio da caneta para assinar decretos.

“Hoje (terça-feira 28) pela manhã tomando café com Dias Toffoli, Alcolumbre e Maia, eu disse para Maia ‘com a caneta eu tenho muito mais poder do que você. Apesar de você, na verdade, fazer as leis, eu tenho o poder de fazer decreto’. Logicamente decretos com fundamento”, disse o presidente, de acordo com a Folha.

A declaração teria sido dada no café da manhã com os chefes da Câmara, Senado e STF. Bolsonaro reproduziu o diálogo no fim desta terça-feira 28, quando acompanhava o lançamento da Frente Parlamentar da Marinha Mercante, no Rio de Janeiro.

 

O encontro na manhã da terça-feira rendeu promessas de um ‘pacto’ entre os poderes para a governabilidade de Bolsonaro, que se vê em uma encruzilhada para aprovar a reforma da Previdência e já sofreu algumas derrotas na tramitação da MP 870 – canetada responsável por alterar a organização ministerial.

Entre elas, está a volta do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o ministério da Economia, o que desfalca as intenções de Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, com o órgão. O texto final segue para sanção presidencial.

 

Por mais que tenha o “poder” dos decretos, a assinatura compulsória também pode complicar a situação do governo no Legislativo, que questiona a legalidade, por exemplo, do decreto das armas.

Além de já questionado pelo Ministério Público Federal, o ministro Onyx Lorenzoni deverá comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para prestar esclarecimentos sobre a flexibilização do porte e posse de armamento.

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