Bolsonaro diz que pessoas que adotam o isolamento são responsáveis por infecções

O presidente voltou a defender o afrouxamento de medidas de combate ao coronavírus, postura criticada por especialistas

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Foto: Reprodução/Facebook

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Foto: Reprodução/Facebook

Política

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas de combate ao coronavírus e culpou o isolamento social pela alta no índice de contaminações no Brasil. A declaração ocorreu nesta quinta-feira 28, durante transmissão ao vivo na internet.

 

 

“As pessoas que continuam adotando essa política de isolamento, de lockdown, de confinamento, são responsáveis, em grande parte, até pelo aumento de infectados. A maioria dos casos de infecções acontecem dentro de casa”, afirmou.

Bolsonaro também criticou propostas de prorrogação do auxílio emergencial, encerrado em dezembro, porque os cofres públicos não dariam conta. Também afirmou que trabalhadores do campo e caminhoneiros poderiam parar as atividades, ao receber o benefício. O presidente ainda voltou a defender a prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus.

“Temos que conviver com a Covid. Lamento as mortes mais uma vez, mas temos que conviver com esse problema. Não podemos destruir empregos. Isso leva à depressão, ao desemprego, ao suicídio”, afirmou.

As alegações de Bolsonaro são criticadas por especialistas. Em entrevista a CartaCapital na quarta-feira 27, o médico e neurocientista Miguel Nicolelis alertou para a urgência da adoção de medidas restritivas, em meio ao avanço da Covid-19. Segundo ele, as cenas de drama registradas em Manaus, com a falta de oxigênio em hospitais, podem se reproduzir em outros estados e municípios brasileiros.

“Começa a colapsar uma grande cidade como Manaus, mas nós estamos em uma corrida de dominó em que os colapsos serão mais rápidos que a nossa capacidade de dar conta desses pacientes, que não terão para onde ir. Essa é a grande preocupação que nos motivou, no fim do ano passado, a sugerir que o Brasil deveria fazer um lockdown, como o Reino Unido”, afirmou Nicolelis. “Evidentemente é a única maneira de fazer as taxas de transmissão caírem, ainda mais devido à existência de uma nova variante que, não tenho a menor dúvida, já se espalhou pelo Brasil todo”.

 

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