Bolsonaro debocha de protesto contra a fome em SP e ataca Boulos: ‘Paspalhão’

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente da República culpou a esquerda pela perda da renda durante a pandemia

Foto: Reprodução

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Política

O presidente Jair Bolsonaro criticou a manifestação contra a fome realizada nesta quinta-feira 23, em um dos prédios da Bolsa de Valores em São Paulo. O ex-capitão culpou a esquerda pela perda da renda durante a pandemia e se queixou de quem defendeu, segundo ele, a “política do ‘fica em casa e a economia a gente vê depois'”.

 

 

As declarações ocorreram durante a tradicional transmissão ao vivo nas redes sociais. O presidente direcionou suas críticas a Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, que dirigiu a ação.

“Tivemos a notícia do Guilherme Boulos e sua turminha de gente fina invadindo a Bolsa de Valores de São Paulo. Eu já ouvi muita gente do mercado contra mim, favorável à esquerda. Tiveram um pequeno exemplo, agora, da esquerda que não voltou ao poder, como eles adoram a iniciativa privada, como eles adoram a propriedade privada”, disse Bolsonaro.

“Prezado Boulos, querer me culpar pela fome no Brasil e desemprego, você tá de sacanagem, né?”, continuou o presidente. “É um paspalhão, realmente. Procurando fazer demagogia. Nunca vi esse cara ao lado da lei, ao lado da ordem, respeitando a propriedade privada, respeitando o emprego.”

Bolsonaro disse lamentar o aumento da fome, mas alegou que os preços estão altos em outros países.

“Tem gente que passa fome no Brasil, tem gente que passa mal, a gente sabe disso. Está havendo ainda uma inflação nos produtos alimentícios no mundo todo, não é apenas no Brasil”, alegou, citando publicações da imprensa sobre alta nos preços do gás, da gasolina e dos alimentos na Europa.

Nas redes sociais, Boulos declarou que as críticas de Bolsonaro são “um elogio”.

Conforme informou a própria empresa que gerencia a Bolsa, a B3, o protesto foi pacífico e não causou impactos na operação do mercado financeiro. Os manifestantes criticaram o aumento no lucro de empresários, em meio aos crescentes índices de fome e de insegurança alimentar durante a pandemia.

O Brasil voltou ao vergonhoso Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas durante o governo Bolsonaro, depois de mais de sete anos fora da lista. Nos últimos meses de 2020, pelo menos 19 milhões de brasileiros passaram fome, segundo estudo divulgado em abril deste ano pela instituição Rede Penssan. O mesmo levantamento revelou que, pela 1ª vez em 17 anos, mais de 116 milhões de pessoas registraram situação de insegurança alimentar.

Apesar de a preocupação sobre a fome ter aumentado mundialmente, o Brasil está entre os focos emergentes, ao lado da Índia e da África do Sul, de acordo com o relatório O Vírus da Fome se Multiplica, publicado pela Oxfam em julho. Em nota, a instituição classificou a situação brasileira como “catastrófica”.

Enquanto isso, uma série de estudos mostrou que bilionários ficaram mais ricos durante a crise da Covid. Uma lista da revista Forbes identificou o surgimento de 42 bilionários brasileiros em 2021 – o clube de super ricos conta com 315 nomes do País.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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