Política

Bolsonaro contraria dados e alega que o Brasil é ‘exemplo em preservação ambiental’

Ambientalistas demonstram que o País enfrenta um aumento dos focos de incêndios florestais e de áreas desmatadas desde a posse do ex-capitão

Foto: Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nessa sexta-feira 3, que o Brasil é um exemplo para o mundo em preservação ambiental. 

“Dois terços do nosso território são preservados e temos a segunda maior matriz energética proporcional”, acrescentou o ex-capitão, nesta sexta-feira 3, durante uma visita às obras da Ponte de Integração Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR).

A declaração de Bolsonaro contraria dados e estudos que apontam um preocupante cenário de devastação ambiental no Brasil.

Um levantamento da Global Forest Watch divulgado em abril mostrou que quase metade da perda de florestas primárias no mundo em 2021 ocorreu no Brasil. 

Ao todo, foram destruídos 1,5 milhão de hectares de florestas nativas no ano passado, o que representa 40% da perda florestal do planeta.

O estudo ainda mostra que o Brasil “lidera” o ranking com folga, distante do segundo colocado, a República Democrática do Congo. 

Ainda em abril, os alertas de desmatamento na Amazônia bateram novo recorde, conforme dados do Inpe. Foi a primeira vez que os alertas mensais ultrapassam mil km² no período. Isso significa um aumento de 2,5% em relação ao mês de abril de 2021. 

Na região da Mata Atlântica, houve em 2021 um aumento de 66% no desmatamento comparado com o ano anterior, de acordo com relatório da Fundação SOS Mata Atlântica.

Em maio, a Amazônia teve o maior número de incêndios desde 2004, decorrentes das queimas agrícolas em áreas desmatadas ilegalmente. 

Os 103.161 incêndios registrados na Amazônia em 2020 destruíram uma área 15,6% maior que a de 2019, quando imagens de chamas avançando pela floresta chocaram o mundo e provocaram protestos em vários países.

Ambientalistas salientam que o Brasil enfrenta um aumento dos focos de incêndios florestais e de áreas desmatadas desde a posse de Bolsonaro. 

O presidente também distorce a realidade ao afirmar que dois terços do território brasileiro são de áreas preservadas. 

Uma análise do Mapbiomas aponta que pelo menos 9% do total de 66% da atual cobertura vegetal encontrada no País é secundária, ou seja, vêm de áreas que já foram desmatadas e voltaram a crescer. Portanto, não foram preservadas. 

O ex-capitão é alvo de críticas internas e externas por sua política ambiental e conhecido mundialmente por defender e permitir atividades de mineração e agrícolas em terras de proteção ambiental, incluindo territórios indígenas. 

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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