Bolsonaro cometeu crime de corrupção no caso Covaxin e terá que ser responsabilizado, diz Renan

Segundo o senador, a CPI da Covid já tem provas dos crimes do ex-capitão

Fotos: ALAN SANTOS/PR e JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO.

Fotos: ALAN SANTOS/PR e JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO.

Política,Saúde

Jair Bolsonaro cometeu crime de corrupção no caso da Covaxin e que terá que ser responsabilizado no relatório final da CPI da Covid. A frase é do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão. Em sua avaliação, o presidente cometeu ainda prevaricação ao não levar adiante denúncias de irregularidades.

“O detalhamento da investigação, as circunstâncias, os elementos probantes, tudo isso leva a crer que ele [Bolsonaro] terá que ser responsabilizado sim por crime de corrupção e que isso deverá constar do relatório”, disse Calheiros. As declarações foram dadas nesta segunda-feira 20 em entrevista ao UOL.

Segundo o senador, a CPI colheu provas suficientes para indicar os crimes de Bolsonaro.

Na entrevista, Calheiros explicou que a participação do presidente se deu na ligação ao primeiro-ministro da Índia Narendra Modi. Na conversa, Bolsonaro solicitou a reserva das 20 milhões de doses da vacina indiana. O ex-capitão teria, portanto, ciência de toda a negociação, deixando suas ‘digitais’ no acordo — que daria um prejuízo de 1,6 bilhão de reais aos cofres públicos brasileiros. A compra só foi desfeita depois que a CPI da Covid revelou suspeitas de corrupção.

A intermediação da Precisa Medicamentos, segundo Renan Calheiros, é cercada ainda de outras irregularidades das quais Bolsonaro tinha conhecimento e não agiu para impedir. As provas da omissão do presidente, disse ele, estarão também no relatório para embasar a denúncia de prevaricação.

“Entendo [que o presidente praticou corrupção] e as suas digitais estão na mensagem, no telefonema que fez ao primeiro-ministro da Índia pedindo para reservar 20 milhões de doses de vacina. , explica o senador. “E depois o crime óbvio de prevaricação quando prometeu tomar providências com relação à investigação, depois dos irmãos Miranda terem dito que estava sendo feito isso e indicado a responsabilidade dessa negociação, que seria do líder do governo, deputado Ricardo Barros.”

Ainda na entrevista, Renan Calheiros afirmou que o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, constará como cúmplice de Bolsonaro no crime de prevaricação. Pazuello estaria produzindo um ‘relatório paralelo’ em favor do governo que será lido na CPI pelo bolsonarista Marcos Rogério (DEM-RO).

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