Bolsonaro ameaça pilares da democracia, afirma Human Rights Watch

De acordo com a ONG, presidente ataca o Supremo Tribunal Federal, ameaça eleições e viola a liberdade de expressão

Fotos: Marcos Corrêa/PR

Fotos: Marcos Corrêa/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro ameaça os principais pilares da democracia brasileira, conclui a Organização Não Governamental Human Rights Watch.

Para a ONG, que divulgou o relatório nesta quarta-feira 15, “o presidente buscou intimidar o Supremo Tribunal Federal e tem ameaçado cancelar as eleições em 2022 ou, de alguma outra forma, negar aos brasileiros o direito de eleger seus representantes, ao mesmo tempo em que viola a liberdade de expressão daqueles que o criticam”.

“Os discursos recentes fazem parte de um padrão de ações e declarações do presidente que parecem destinadas a enfraquecer os direitos fundamentais, as instituições democráticas e o Estado de Direito no Brasil”, afirma trecho do documento.

Ao analisar a postura bélica do presidente contra a Suprema Corte, o documento aponta que Bolsonaro está preparando as bases para tentar cancelar as eleições com alegações infundadas de fraude eleitoral para contestar a decisão popular caso não seja eleito para o segundo mandato. 

“O presidente Bolsonaro, um apologista da ditadura militar no Brasil, está cada vez mais hostil ao sistema democrático de freios e contrapesos”, disse José Miguel Vivanco, diretor de Américas da Human Rights Watch.

Em discurso realizado nos atos de 7 de setembro, o presidente Bolsonaro disse ao ministro Alexandre de Moraes para arquivar os referidos inquéritos e disse ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, que se ele não “enquadrar” o ministro Moraes, o judiciário “pode sofrer aquilo que nós não queremos”, sem explicar o que isso significa.

O documento também aponta como perigosa a frase do presidente sobre reagir fora das “quatro linhas” da Constituição. 

“O presidente frequentemente afirma defender a “democracia”, mas suas declarações levantam dúvidas sobre o que ele entende por democracia”, disse a Human Rights Watch.

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Repórter do site de CartaCapital

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