Justiça
Base governista troca integrantes na CPI do Crime Organizado e esvazia votação de relatório que mira STF
Alteração no colegiado ocorre em um dia decisivo e consolida maioria para barrar e derrotar o texto de Alessandro Vieira (MDB-SE)
A composição da CPI do Crime Organizado no Senado foi alterada horas antes da votação do relatório final, nesta terça-feira 14, em um movimento articulado por governistas que redesenhou a correlação de forças no colegiado e colocou em risco a deliberação do parecer.
As mudanças atingiram diretamente dois senadores que já eram considerados favoráveis ao relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que propõe o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República. Deixaram a comissão Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), ambos da base do governo.
A troca foi formalizada no sistema do Senado hoje mais cedo, no último dia de funcionamento da CPI.
Com a nova composição, congressistas envolvidos na articulação passaram a projetar uma maioria suficiente para enterrar o relatório no plenário da comissão. A CPI é formada por 11 titulares, e a reconfiguração ampliou o peso de senadores ligados ao governo.
Nos bastidores, o entendimento predominante é que a mudança consolidou um cenário desfavorável ao parecer, apresentado no mesmo dia e que já enfrentava resistência.
Além dos novos integrantes, o cálculo de votos considerava a posição de outros integrantes da comissão, incluindo o presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), e senadores de partidos como PT, PSD e PSB, o que garantiria margem suficiente para esvaziar a deliberação.
O relatório
O relatório final da CPI, com mais de 200 páginas, propõe o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. O texto também sugere medidas estruturais no combate ao crime organizado, incluindo a possibilidade de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.
Apesar de ter sido apresentado, o documento ainda depende de aprovação pela maioria dos integrantes da comissão para se tornar oficial e ser encaminhado a órgãos como o Ministério Público.
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