Ataques de Bolsonaro à imprensa aumentam 74% em 2021

Foram 87 ataques em apenas seis meses. Jornalistas mulheres foram o alvo principal do presidente, de acordo com Repórteres Sem Fronteiras

Bolsonaro durante ataque a jornalista. (Foto: Reprodução)

Bolsonaro durante ataque a jornalista. (Foto: Reprodução)

Política

Durante os primeiros seis meses de 2021, o número de ataques do presidente Jair Bolsonaro contra a imprensa aumentou 74% em relação ao segundo semestre de 2020. Os dados são do novo levantamento da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado na terça-feira 27.

O levantamento apontou 87 ataques de Bolsonaro no primeiro semestre de 2021. O número é bem superior aos 50 ataques proferidos pelo presidente no segundo semestre do ano passado.

A RSF também monitorou os filhos do presidente e outros integrantes do governo, como ministros e secretários. Ao todo, foram 331 ofensas proferidas pelo ‘sistema Bolsonaro’ no primeiro semestre de 2021, um salto de 5,41%.

Entre os integrantes do clã, o filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro é o que mais atacou jornalistas e veículos. Foram 85 ofensas proferidas pelo ‘03’. O número representa uma queda de 41,37% em comparação com os seis meses finais de 2020, quando Eduardo atacou 145 vezes a imprensa nacional.

De acordo com o levantamento, Carlos Bolsonaro é o terceiro que mais atacou a imprensa, com 83 ofensas em 2021. Flávio Bolsonaro soma 38 insultos em 2021. Onyx Lorenzoni, ex-chefe da Casa Civil e atual ministro do Trabalho, vem logo em seguida com 18 ataques.

Outros integrantes e nomes próximos do governo estão na lista. São eles: Damares Alves, Augusto Heleno, Ricardo Salles, André Mendonça, Milton Ribeiro e Hamilton Mourão.

 

Ataques estão cada vez mais violentos e mulheres seguem como alvo principal

Ao divulgar o novo levantamento, a RSF destaca que os ataques estão cada vez mais violentos, “atingindo às vezes um nível inimaginável de vulgaridade”.

Para exemplificar a constatação, a ONG relembrou algumas das declarações do presidente.

“Lata de leite condensado. Vá pra puta que o pariu. Imprensa de merda. É pra enfiar no rabo de vocês da imprensa essas latas de leite de condensado todas”, afirmou Bolsonaro em 27 de janeiro ao tratar da quantidade anormal do produto comprado pelo governo na ocasião.

Em 21 de junho, Bolsonaro explodiu e mandou um jornalista da TV Globo calar a boca ao ser questionado do porquê não estar usando máscara. O presidente também chamou a emissora de ‘merda’ e ‘canalha’.

“Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa. […] Cala a boca. Vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha, canalha que não ajuda em nada. Vocês não ajudam em nada”.

Segundo o levantamento, as ofensas e ataques em sua maior parte foram direcionadas às mulheres, assim como em 2020.

Ao todo, em mais de 20 dos 331 ataques os alvos eram jornalistas mulheres. Daniela Lima, da CNNBrasil, e Maju Coutinho, da TV Globo, foram as que mais receberam ofensas de integrantes do ‘sistema Bolsonaro’.

 

Twitter foi o principal ‘palco’ para os ataques

De acordo com o levantamento, as redes sociais foram os principais meios usados pelo ‘sistema Bolsonaro’ para atacar a imprensa brasileira, em especial o Twitter, que concentrou mais de 80% dos insultos.

O Facebook vem em segundo lugar como ‘palco’ principal dos ataques. A plataforma é usada especialmente pelo presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, o presidente atacou a imprensa em 19 das 24 transmissões ao vivo que fez na plataforma.

O Youtube também é usado pelo presidente para agredir jornalistas e veículos. Vale lembrar que, na última semana, a plataforma novamente excluiu vídeos do canal oficial do presidente por conter desinformação.

 

Lista de tiranos mundiais

Os ataques à imprensa fizeram com que Bolsonaro passasse a integrar a lista de ‘Predadores da Liberdade de Imprensa’ produzida pela ONG.

Na lista, o presidente brasileiro está ao lado de nomes como o do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, envolvido na morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

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Repórter do site de CartaCapital

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