Política

Ataque hacker no Ministério da Saúde completa um mês e pasta ainda convive com ‘apagão’ de dados

Segundo especialistas, o problema já deveria ter sido resolvido pelo governo federal, que ainda não dimensionou tamanho do estrago

Foto: Reprodução
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O ataque hacker aos sites e sistemas do Ministério da Saúde completa um mês nesta segunda-feira 10. Apesar de já ter restabelecido parte dos aplicativos, a pasta comandada por Marcelo Queiroga ainda convive com ‘apagão’ de dados em plataforma relacionada ao controle da pandemia no Brasil. A informação é do site UOL.

Especialistas consultados pelo site apontam que o problema já deveria ter sido resolvido pelo governo Jair Bolsonaro (PL). Apesar disso, as informações oficiais divulgadas até o momento não dão conta nem de dimensionar o estrago causado pela invasão. A falta de transparência sobre o problema também é criticada pelos especialistas, que custam a entender porque sistemas como o Sivep-Gripe ainda estão fora do ar.

O Sivep-Gripe é o sistema pelo qual municípios brasileiros reportam casos de influenza e Covid-19. Sem o sistema é difícil saber qual a real situação epidemiológica no País. Notícias mostram que o Brasil atravessa uma nova onda da Covid impactada pela variante ômicron. Casos de gripe também saltaram assustadoramente em diversas regiões do País. Sem os dados, no entanto, é difícil afirmar para onde o Brasil estaria caminhando.

Há quem veja no ‘apagão’ não apenas um indício da incompetência do governo Bolsonaro, mas também um forte interesse político em esconder ou minimizar os dados da pandemia no Brasil. A tese é defendida por Ilara Hammerli Moraes, integrante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

“Primeiro é importante dizer que não é só incompetência. Seria o mais fácil e óbvio de falar, mas não é possível de dizer isso após 30 dias sem as plataformas. A incompetência encobre processos mais sérios”, avalia a profissional ao site.

“A quem interessa uma situação como essas, de opacidade de dados? Primeira hipótese: não tem interesse em saber o tamanho da pandemia no Brasil hoje, ainda mais com o turbilhão da ômicron. [Existe] Uma finalidade política de jogar sombra no que está ocorrendo no país. Trabalho com a hipótese de que há uma intencionalidade”, reforça a especialista.

Oficialmente o governo federal informou que restabeleceu boa parte dos sistemas e aplicativos da Saúde já nas primeiras duas semanas após o ataque. Na prática, no entanto, gestores municipais apontam dificuldades e lentidão ao tentarem usar as plataformas do governo. Os dados exibidos também estão incompletos, de acordo com o governo, aguardando uma sincronização para atualizar as informações registradas após o dia 10 de dezembro.

Segundo apurou o UOL, o ataque hacker atingiu a Rede Nacional de Dados em Saúde, local que concentra a maior parte das informações do ministério. A dificuldade estaria atrelada ao volume de dados, informação não confirmada oficialmente.

Isaac Schrarstzhaupt, analista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19, também levanta outra possibilidade. Para ele, a falta de explicações oficiais e a demora para restabelecer por completo o sistema podem significar que os dados foram perdidos e estariam sendo ‘refeitos’.

“O governo não foi claro. A única fala oficial foi aquela coletiva de imprensa que nem tinha o ministro da Saúde, e que disse que logo tudo ia voltar, mas não explicou nada”, disse. “Não sabemos se é falta de vontade, ou se realmente o fato de terem a senha de administrador fez com que fossem lá e apagassem tudo pela raiz. O tempo que está demorando é o tempo para fazer tudo do zero”, acrescenta o analista.

No mesmo dia do ataque hacker, Queiroga chegou a afirmou que os dados ‘estavam preservados’ e que haveriam backups. No ar, por enquanto, as informações disponíveis estão desatualizadas, colocando em xeque a afirmação do próprio ministro.

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