Apuração da PF que mira Salles indica ‘lavagem’ de produtos florestais

O órgão pediu ao STF a transferência da investigação, que fez buscas em endereços do ex-ministro do Meio Ambiente, à Justiça Federal do Pará

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Política

Uma perícia realizada pela Polícia Federal reforça indícios de um esquema de exportação ilegal de madeira investigado na Operação Akuanduba, que tem entre os alvos o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

 

 

Segundo a PF, o grupo pode ter usado documentos falsos na tentativa de “legalizar” materiais extraídos de forma criminosa, expedidos oito meses após a exploração das áreas. A informação foi divulgada nesta terça-feira 20 pela TV Globo.

O trabalho da PF foi feito a partir de de informações levantadas pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, órgão que equivaleria ao Ibama no Brasil.

Os dados trazem indícios da existência de “possível grave esquema de conluio entre agentes públicos brasileiros e particulares” no Brasil e nos Estados Unidos para legalizar madeiras brasileiras, de origem ilegal, retidas em portos norte-americanos.

Segundo o delegado federal Franco Perazzoni, a análise criminal “demonstrou que a origem dos produtos florestais que foram exportados por meio do contêiner TCNU7091944 apresentou DOFs [Documento de Origem Florestal] emitidos mais de oito meses após o final dos sinais de exploração florestal detectados em imagens de satélite”.

Para ele, a emissão “é bastante inusual e reforça a possibilidade de ‘lavagem’ de produtos florestais de outras áreas a partir de documentos emitidos por essa origem”.

A análise acompanha o pedido de envio da Operação Akuanduba à Justiça Federal do Pará, feito pelo delegado ao STF, sob a justificativa de que Salles perdeu o foro privilegiado após pedir demissão e que a madeira tem origem em reservas florestais em Altamira (PA).

“Se por um lado, a presente investigação versa sobre diversos crimes, inclusive funcionais, dúvida não há de que os produtos florestais apreendidos pelas autoridades norte-americanas ou são oriundos, em sua maior parte, de áreas de concessão florestal no interior da Florestal Nacional de Altamira, ou foram extraídos de outras áreas, provavelmente próximas, mas legalizados por meio de documentos ideologicamente falsos dessas mesmas concessões”, afirma o relatório obtido pela TV Globo.

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Repórter do site de CartaCapital

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