Política

Após ser desmentido, Bolsonaro muda comissão sobre mortos na ditadura

Após fala de Bolsonaro, a Comissão emitiu um documento provando que o pai do presidente da OAB foi vítima do Estado no regime militar

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Foi anunciado na manhã desta quinta-feira 1, pelo presidente Jair Bolsonaro e pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, a troca de quatro membros da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

A decisão acontece uma semana depois que a Comissão emitiu um documento desmentindo Bolsonaro e dizendo que a morte de Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, ocorreu “em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro”.

No começo da semana, Bolsonaro se envolveu em uma polêmica com o presidente da Ordem. Ao ser questionado sobre a posição da OAB na defesa dos direitos de Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro, o pesselista atacou a memória do pai de Felipe.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, afirmou Bolsonaro.

Logo em seguida a então presidente da comissão, Eugênia Augusta Gonzaga, que foi demitida nesta quinta-feira, criticou a fala de Bolsonaro. “É muito grave essa declaração. Ele está transformando um dever oficial, que é dar informações aos familiares, que ele já deveria ter cumprido, em uso político contra um crítico do seu governo”, afirmou.

Eugênia foi Substituída por um advogado filiado ao PSL e assessor de Damares Alves. Para a ex-presidente da Comissão,  ao que tudo indica, a sua exclusão da comissão “foi uma represália por sua postura diante dos últimos acontecimentos”.

“Lamento muito. Não por mim, pois já vinha enfrentando muitas dificuldades para manter a atuação da CEMDP desde o início do ano, mas pelos familiares. Está nítido que a CEMDP, assim como a Comissão de Anistia, passará por medidas que visam a frustrar os objetivos para os quais foi instituída”, afirmou Eugênia, em nota.

Ao ser questionado ao sair do Palácio do Planalto, na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro disse que a mudança reflete a orientação política de seu governo. “Agora o presidente é de direita” , disse.

Alexandre Putti

Alexandre Putti Repórter do site de CartaCapital

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