Justiça

Após derrota no Congresso, Marina Silva diz que licenciamento sofre ‘demolição’ e avalia judicialização

Ministra aponta retrocesso ambiental, alerta para agravamento de tragédias climáticas e afirma que governo avalia contestar alterações no STF

Após derrota no Congresso, Marina Silva diz que licenciamento sofre ‘demolição’ e avalia judicialização
Após derrota no Congresso, Marina Silva diz que licenciamento sofre ‘demolição’ e avalia judicialização
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reagiu nesta sexta-feira 28 à derrubada dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada pelo Congresso Nacional na quinta 27. Em participação no programa Bom Dia, Ministra, da EBC, ela classificou a decisão como uma “demolição” do sistema de licenciamento, afirmando que o Legislativo desfez salvaguardas que, por décadas, ajudaram o País a evitar tragédias socioambientais.

“É uma verdadeira demolição, foi uma demolição do licenciamento ambiental brasileiro. Todas as tragédias evitadas não têm como ser contabilizadas, a gente só olha para aquelas que, infelizmente, não foram evitadas. Só que a partir de agora com essa demolição, elas serão potencializadas”, disse. 

Marina destacou que a revisão do marco ocorre justamente quando o Brasil enfrenta uma escalada de eventos extremos, como enchentes, secas prolongadas e tempestades severas. Segundo a ministra, flexibilizar controles neste contexto aumenta a exposição de comunidades vulneráveis e compromete a capacidade do Estado de prevenir desastres.

Entre os pontos mais sensíveis, a ministra citou a ampliação do licenciamento autodeclaratório, a chamada Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite que empreendimentos de pequeno e médio porte realizem processos simplificados, sem análise prévia de órgãos ambientais. Para Marina, a mudança reduz a segurança técnica e abre brechas para impactos significativos em áreas indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação.

Marina declarou ainda que o governo avalia “fortemente” recorrer ao Supremo Tribunal Federal, argumentando que a revisão aprovada pelos congressistas afronta o direito a um ambiente saudável. Em suas palavras, sem as salvaguardas derrubadas, não há como lutar por esse direito “em um contexto tão difícil”.

A derrubada dos vetos ocorre em meio ao agravamento da crise política entre o Planalto e o Legislativo, que já vinha se intensificando nos últimos dias. Para a ministra, porém, as divergências institucionais não podem se sobrepor à necessidade de fortalecer a proteção ambiental “no momento em que a sociedade mais precisa de segurança frente aos impactos do clima”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo