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Ao lado de Macron, Lula diz ver democracia global ‘sob a sombra do extremismo’

O evento em Brasília marca terceiro e último dia da passagem do presidente francês pelo Brasil

Foto: Ricardo Stuckert / PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou nesta quinta-feira 28, junto ao presidente da França, Emmanuel Macron, a renovação de um acordo bilateral que preza, entre outros objetivos, pela defesa do diálogo e da paz.

Os dois fizeram uma declaração à imprensa nesta tarde, no Palácio do Planalto, em Brasília, no último dia do périplo do presidente francês pelo Brasil. 

Macron deve ainda cumprir agendas no Itamaraty e no Congresso, com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). Antes, também visitou Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em todo o mundo, a democracia está sob a sombra do extremismo. A negação da política e a disseminação do “discurso de ódio” é crescente e preocupante”, ressaltou Lula.

E completou: “Meu governo seguirá trabalhando com afinco para que a América Latina e o Caribe continuem sendo uma zona sem conflitos, onde prevalecem o diálogo e o direito internacional”. 

Em relação à polarização, o presidente francês aproveitou a fala de Lula para destacar os atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 e elogiar a atuação do governo brasileiro.

“Toda minha comitiva e eu, pessoalmente, nos sentimos imensamente honrados de estarmos hoje aqui ao seu lado, hoje, aqui, neste lugar, nesta Praça dos Três Poderes, que foi atacada, destruída praticamente, ou, pelo menos, bastante maltratada pelos inimigos da democracia“, disse Macron.

“A maneira com que [Lula] conseguiu reconstituir os equilíbrios da democracia e levar a cabo esse debate internacional significa muitíssimo para nós”.

Sobre o contexto internacional, o presidente francês disse ainda que “ninguém está a salvo de forças muito extremas que vem estremecer a democracia”, mas que “o Brasil resistiu a isso” e deve ser levado como exemplo para os demais países. “Quero agradecer pelo espírito de resistência e a força para restaurar a democracia“.

Lula também disse ter reforçado a Macron a posição brasileira em relação à guerra na Ucrânia, na qual, a França tem apoiado os ucranianos, enquanto o Brasil adota uma postura mais neutra.

Sobre os conflitos, o presidente Lula voltou a criticar a falta de ação do Conselho de Segurança da ONU em relação aos ataques de Israel na Faixa de Gaza.

“A paralisia do Conselho de Segurança frente à guerra na Ucrânia e em Gaza é alarmante e inexplicável”, disse. “As teses que questionam a obrigatoriedade do cumprimento da recente determinação de cessar-fogo em Gaza durante o mês do Ramadã corroem, mais uma vez, a autoridade do Conselho”.

Acordos bilaterais 

Ao mencionar os 20 acordos assinados entre os países, Lula enalteceu a relação e afirmou que “nenhuma potência tradicional é mais próxima do Brasil do que a França“. 

Ele ainda afirmou que o chefe do país europeu comprovou que o compromisso brasileiro com o meio ambiente “não é retórico”, durante viagem a Belém. 

“O diálogo entre nossos países representa uma ponte entre o Sul Global e o mundo desenvolvido em favor da superação de desigualdades estruturais e de um planeta mais sustentável”, disse Lula.

Ao chegar no Palácio do Planalto, o chefe francês foi recepcionado com honrarias por Lula, a primeira-dama Janja Lula da Silva, o ministro Mauro Vieira e o assessor especial Celso Amorim.

Entre os acordos assinados, estão um plano de ação estratégica Brasil e França, declaração de intenções sobre a retomada do centro franco-brasileiro de biodiversidade amazônica, acordo de cooperação internacional em matéria penal, reforço na luta contra garimpo ilegal e declaração de intenção para reforçar cooperação com integridade do espaço informativo.

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