Política

Bolsonaro pede “patriotismo” a donos de mercados ao comentar alta da cesta básica

Presidente ainda atrelou a inflação ao auxílio emergencial; governo reduziu parcela para 300 reais

Foto: PR.
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira 4 que está dialogando com intermediários e representantes de grandes redes de supermercados para tentar evitar uma alta maior nos produtos da cesta básica.

 

“Só para vocês saberem, já conversei com intermediários, vou conversar logo mais com a associação de supermercados para ver se a gente … não é no grito, ninguém vai dar canetada em lugar nenhum”, disse o presidente, continuando depois: “Então estou conversando para ver se os produtos da cesta básica aí… Estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro.”

A declaração foi dirigida a apoiadores da cidade de Eldorado, interior de São Paulo, onde o presidente foi apresentar o projeto da ponte estaiada sobre o rio Ribeira no bairro Batatal, uma promessa antiga.

O presidente ainda atrelou a alta de preços ao pagamento do auxílio emergencial, que levou as pessoas a gastarem “um pouco mais”: “Muito papel na praça, a inflação vem”.

Bolsonaro tem recebido queixas da população sobre o preço de produtos como arroz e feijão, sobretudo no momento em que o governo decide reduzir a parcela do auxílio emergencial para 300 reais. O auxílio será pago até dezembro.

Setor supermercadista fala em pressão por parte de indústrias e fornecedores

Na quinta-feira 3, associações representativas do setor de supermercados lançaram notas chamando atenção para a alta de preços nos produtos da cesta básica – caso do arroz, feijão, leite e óleo de soja – que chega a superar 20% no acumulado de 12 meses.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou que “vê a conjuntura com muita preocupação” e que “o setor supermercadista tem sofrido forte pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores”.

“Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia”, completou a entidade.

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) afirmou que “o arroz e feijão estão perdendo cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros, em função do aumento das exportações destes produtos, além da diminuição das importações, motivadas pela mudança na taxa de câmbio”.

“Somando-se ao câmbio competitivo, há a conjunção de quebra de safra e o crescimento da demanda interna impulsionada pelo covid-19, que trouxe maior consumo de produtos básicos –tanto pelo auxílio emergencial quanto pelo deslocamento do consumo fora de casa para dentro do lar.”

As associações afirmam que tem buscado a interlocução com o governo para tratar o problema.

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