Anvisa protesta contra ‘inadmissíveis ataques’ após barrar Sputnik V

'O que vem sendo exigido são questões básicas', diz Anvisa; nota não menciona novos dados protocolados pelo Consórcio Nordeste

Foto: Natalia Kolesnikova/AFP

Foto: Natalia Kolesnikova/AFP

Política,Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária protestou, em nota emitida nesta quarta-feira 5, contra o que chamou de “inadmissíveis ataques” que teria recebido após barrar a importação da vacina Sputnik V. O texto é publicado em meio a uma pressão de governadores do Consórcio Nordeste, que protocolou novos documentos sobre o imunizante e reivindicou que a Anvisa libere a compra.

 

 

 

“A Anvisa não está acima das críticas, mas são inadmissíveis os ataques à autoridade sanitária do Brasil e aos seus servidores públicos, que vêm atuando conforme a missão de servir ao Estado brasileiro e de promover a proteção da saúde da população”, diz nota.

A agência sanitária não se pronunciou sobre as informações mais recentes encaminhadas pelo Instituto Gamaleya e pelo Consórcio Nordeste, que respondem a dúvidas levantadas sobre a segurança da vacina, e voltou a reclamar de falta de documentação.

Entre as informações requeridas pela Anvisa, estão:

 

  • Relatório técnico ou dados de toxicologia, com estudos capazes de comprovar que a vacina não tem toxicidade para os órgãos reprodutivos e para o feto;
  • Dados de segurança por faixa etária, para aplicação da vacina em pessoas idosas e para as pessoas que já tiveram Covid-19;
  • Justificativas sobre os vieses observados nos estudos clínicos;
  • Dados sobre as respostas imunes induzidas pela vacina;
  • Relatórios de validação;
  • Estudos comparativos capazes de garantir que a produção do lote comercial é semelhante com o lote de 5 litros dos estudos clínicos;
  • Dados sobre o controle de vírus adventícios, impurezas, contaminantes e adenovírus replicantes e outros elementos já disponibilizados nos votos dos diretores e nas exigências feitas ao desenvolvedor da vacina.

 

“O que vem sendo exigido são questões básicas para uma vacina e não são motivos para indignação e tentativa de difamação do Brasil e dos seus servidores”, diz nota da Anvisa. Segundo o órgão, os requisitos apontados foram cumpridos pelos demais laboratórios de vacinas contra a Covid-19 já aprovadas.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), ainda não se pronunciou sobre a nota. O petista está à frente da temática da vacina no Fórum de Governadores e lidera a articulação pela compra da Sputnik V no Consórcio Nordeste.

Na terça-feira 4, Dias entregou à Anvisa novos documentos com o aval para a Sputnik V pelo comitê científico do Consórcio Nordeste e pelo virologista Amilcar Tanuri, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O Instituto Gamaleya nega que haja adenovírus replicante em quaisquer lotes da vacina e acusa a Anvisa de difamar a Sputnik V sem realizar testes. O chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, tem afirmado que o Brasil está cedendo a pressões dos Estados Unidos para recusar o imunizante.

A vacina já foi autorizada em 64 países e está bem encaminhada em pelo menos 40, de acordo com representantes russos.

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Repórter do site de CartaCapital

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