Política

Ameaça de expulsão tem a digital de Doria, diz tucano de esquerda

Reunião com líderes de esquerda rendeu a Fernando Guimarães um pedido de expulsão por parte do tucanato paulistano. ‘Sempre fomos obstáculo’

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O sociólogo Fernando Guimarães, líder da corrente tucana Esquerda pra Valer, tem também se dedicado a um outro movimento que contraria os novos donos do PSDB. Desde o ano passado, ele articula a criação de um movimento batizado Direitos Já, Fórum pela Democracia, que reúne lideranças à esquerda e à direita contra Jair Bolsonaro.

Logo que a vitória do militar foi confirmada, ele passou a procurar militantes dos vários espectros do campo político na tentativa de compor a tão falada frente democrática — que não se concretizou no segundo turno.

Do PSOL ao Podemos. Do PDT de Leonel Brizola ao ultraliberal Novo, convenceu quase duas centenas de pessoas. As primeiras discussões começaram no WhatsApp. “Conseguir reunir 250 pessoas desses partidos sem nenhuma provocação já foi uma vitória”, brinca.

A costura suprapartidária não é novidade. Desde que o militar chegou ao Planalto, há grupos reunidos em torno de um comum interesses, como o Pacto pela Democracia, e a Comissão Arns. O Direitos Já quer tomar um caminho diferente: reunir o maior número possível de pessoas em torno de uma pauta enxuta.

A ideia, diz Guimarães, não é impedir que Bolsonaro governe os quatro anos, mas garantir o respeito aos valores democráticos e à Constituição. “Estamos preocupados em assegurar, por exemplo, que haja eleições em 2022.”

 

Para os próximos encontros, ele espera reunir gente como Márcio França, derrotado por Doria na disputa pelo governo, e o senador José Serra. O lançamento oficial está marcado para agosto deste ano.

O arranjo veio a público depois de treze encontros, quando o movimento reuniu, na casa do advogado Pedro Serrano, representantes de dez partidos — entre eles PSDB, PDT, PT, PSOL, PCdoB e Cidadania (antigo PPS).

O caso rendeu a Guimarães ameaças de expulsão por parte do diretório paulistano do partido. Com a confirmação da vitória de Bruno Araújo, aliado de João Doria, para a presidência do PSDB, o prenúncio pode virar realidade.

Em entrevista a CartaCapital, Guimarães falou sobre o movimento e as expectativas para o futuro do PSDB.

Confira a seguir.

CartaCapital: O que você espera devolver à sociedade com o Direitos Já?

Fernando Guimarães: Essa pauta mínima, fundamentalmente, são os valores fundamentais expressos na Constituição. Não é uma pauta que puxe a sardinha para um partido ou para outro. Liberdades civis, políticas, sociais, ambientais. Queremos, inclusive, buscar essa direita que é compromissada com a democracia. Na defesa da pauta indígena, por exemplo, é possível ter na mesma mesa Haddad e FHC. Vamos buscar essa convergência.

CC: Você teme que a ameaça de expulsão seja levada a cabo?

FG: Temer não é a palavra, eu fiquei perplexo. Estou no movimento como pessoa, não usei o nome do PSDB. É um movimento cívico cuja única pauta é a defesa da Constituição, na qual lideranças tucanas tiveram um papel fundamental. A reação contrária foi colocada pelo município. Numa carta assinada pelo chefe de gabinete do governador. Tem a digital do governador. É o governador que está dizendo isso. Ele tem uma necessidade de tentar mostrar que é ‘antiesquerda’, quer mostrar que é quem dá as cartas. E acho também que ele tem uma birra com o Esquerda Pra Valer.

Sempre fomos vistos como obstáculo. Mas não vamos entregar o partido de mão beijada na mão deles.

CC: Muitos tucanos descontentes falam da dificuldade em migrar a uma outra legenda. Vê a possibilidade de nascer daí um novo partido?

FG: Num futuro breve, é difícil. Demanda uma boa dose de energia, e isso alguns dirigentes históricos não tem. Precisaríamos de uma grande oxigenação, muitos jovens à frente desse processo. A ascensão da extrema-direita trouxe quase como imperativo histórico para que as forças progressistas busquem menos a ambição pessoal. Menos o desejo de A, B, C, ou D ser presidente da República e mais a capacidade de agregar forças progressistas. Se encontrarmos algum dirigente partidário que tenha a grandeza de estabelecer um novo programa, talvez um novo nome, mas também um rodízio imediato de dirigentes. Se tivermos a cada seis meses um novo presidente nacional, você acena para um campo plural e atrairia muita gente descontente de vários partidos. Esse rearranjo deveria ocorrer no centro, na esquerda, na direita. Seria muito bom que o País tivesse pelo menos três partidos modernos, democráticos, plurais.

Thais Reis Oliveira

Thais Reis Oliveira Editora-executiva do site de CartaCapital

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