Política

Alckmin vice de Lula é possibilidade real, diz Flávio Dino: ‘Não se faz sanduíche de pão com pão’

Independentemente da vinda do tucano para o PSB, contudo, a formação de chapa entre o partido e o PT em 2022 depende de acordos nos estados

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O governador do Maranhão, Flavio Dino, vê como real a possibilidade de o ex-governador paulista Geraldo Alckmin se juntar a seu partido, o PSB, e compor como vice uma chapa encabeçada por Lula (PT) para a corrida presidencial de 2022.

Alckmin, de saída do PSDB, também é cortejado pelo PSD. O partido de Gilberto Kassab, porém, aposta em Rodrigo Pacheco para a disputa presidencial e vê no ainda tucano o nome ideal para concorrer ao governo de São Paulo. Neste caso, portanto, Alckmin não seria vice de Lula.

Em entrevista a CartaCapital nesta segunda-feira 6, Dino disse torcer pela concretização da entrada de Alckmin no PSB e da oficialização da chapa com Lula, a fim de derrotar o presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz Sergio Moro no ano que vem.

“É positivo que nós consigamos agregar outros segmentos políticos. Isso sempre é bom. Eleições majoritárias sempre são decididas por frentes amplas. Você apenas escolhe o lugar onde ela estará: se do seu lado ou contra você”, afirmou Dino. “Se o Alckmin se somar ao nosso partido, acho muito positivo.”

O governador maranhense, que recentemente trocou o PCdoB pelo PSB, declarou que Alckmin “corresponde a um lugar chamado genericamente de centro”. Ele se referiu ao ex-governador paulista como “uma pessoa muito gentil e educada, não um extremista, um Bolsonaro, um Moro”.

Para além da análise geral, avalia Dino, o que pesa para que a decisão ainda não tenha sido tomada é “um fator subjetivo, pessoal” por parte de Alckmin, embora o tucano “tenha emitido sinais de que está seduzido a se integrar ao nosso campo político e ajudar a viabilizar uma alternativa nacional”.

Existe também um debate na esquerda marcado pelos traumas decorridos do golpe contra Dilma Rousseff, em 2016. A atuação do então vice-presidente, Michel Temer (MDB), na viabilização do impeachment da petista transporta para 2022 “uma memória negativa”. Para Dino, entretanto, esses “temperamentos” são necessários ao articular uma aliança eleitoral.

Ao analisar os aspectos em que Geraldo Alckmin poderia ser útil ao projeto nacional encabeçado por Lula, Dino destacou o conceito de “complementaridade da chapa”.

Você não faz sanduíche de pão com pão, tem que botar alguma coisa para dar um sabor diferente

Questionado sobre o avanço das negociações entre PT e PSB para a formação de uma chapa presidencial – independentemente da decisão de Alckmin -, o governador do Maranhão admitiu que a união entre as siglas “é a tendência mais forte e necessária”.

Ele ressaltou a dificuldade de compor uma grande coalizão de partidos em torno de Lula, especialmente com a entrada de Sergio Moro na disputa eleitoral, “com a complacência de setores da classe dominante”, e a atuação de Bolsonaro, “montado no orçamento secreto e manipulando verbas públicas”. Dino também não descarta um crescimento do pré-candidato do PSDB, João Doria, nos levantamentos.

A fim de se concretizar o apoio do PSB ao PT no plano nacional, porém, os petistas terão de ceder em estados considerados chave pelos pessebistas. Um exemplo é a disputa em São Paulo, onde os petistas gostariam de lançar Fernando Haddad e o PSB deseja concorrer com Márcio França.

“O peso do PSB é muito alto. Então, acho que é mais do que justificável que essa força seja valorada. Se você já tem um candidato natural à Presidência no nosso campo, que é o Lula, é claro que você tem que fazer compensações nos estados em que o PSB tem seus projetos”, disse Dino. “Mesmo que o PT no estado A ou B seja força hegemônica, em nome da aliança nacional é justo pleitear concessões. Comportamento aliancista exige isso.”

Assista à íntegra:

Leonardo Miazzo

Leonardo Miazzo
Editor do site de CartaCapital. Twitter: @leomiazzo

Thais Reis Oliveira

Thais Reis Oliveira
Editora-executiva do site de CartaCapital

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