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Advogados vão à PGR e pedem investigação contra Deltan
No documento, o grupo Prerrogativas defende a abertura da apuração, “sob pena do mais absoluto descrédito das instituições e do sistema de justiça brasileiro”
Advogados ligados ao grupo Prerrogativas pediram à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigação contra o deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) por fatos divulgados pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) durante discurso no plenário da Câmara.
O parlamentar questionou, entre outras coisas, se Deltan teria adquirido dois apartamentos de 400 metros quadrados cada, no edifício Plymouth Hills, em Curitiba. O primeiro, segundo ele, comprado por 1,8 milhão de reais, “quando o preço de avaliação do prédio era de 2,3 milhões”.
Glauber também perguntou se o ex-procurador da Lava Jato teria comprado “quatro lojas da Hering em shoppings de Curitiba, todas em nome de seus familiares”, em negociação “conduzida diretamente” por Deltan.
Na esteira dos questionamentos, o deputado ainda citou as diárias recebidas pelos procuradores quando Deltan chefiava a operação, além de palestras ministradas por ele à época. O recebimento da verba foi alvo de investigação no Tribunal de Contas da União.
No documento enviado à PGR, os advogados Lenio Streck, Marco Aurélio de Carvalho e Fernando Lacerda dizem ser necessária a “instauração de procedimento investigatório cabível para apuração das condutas ora reportadas, sob pena do mais absoluto descrédito das instituições e do sistema de justiça brasileiro”.
O grupo ainda pede que a Receita Federal forneça informações sobre imóveis adquiridos por Deltan e sua esposa nos últimos dez anos, além de eventuais “procedimentos apuratórios” contra familiares do ex-procurador. Solicitam também que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, diga se existem apurações em andamento contra Deltan.
Por fim, os advogados querem informações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e do Ministério das Cidades sobre a existência de procedimentos abertos contra o ex-chefe da Lava Jato por disputas por terras ou pela aquisição de imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.
Procurado, o ex-deputado Deltan Dallagnol ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.
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