Política

Abin atrapalhou investigação da PF contra Jair Renan Bolsonaro, diz relatório

Integrante da agência de inteligência admitiu ter recebido ordens para atuar no caso envolvendo o filho do presidente, segundo o jornal O Globo

O presidente Jair Bolsonaro e o filho Jair Renan Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP O presidente Jair Bolsonaro e o filho Jair Renan Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP
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Um relatório da Polícia Federal aponta que a ABIN (Agência Brasileira de Investigação) atrapalhou as investigações que tinham como alvo Jair Renan, o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são do jornal O Globo. 

Um integrante do órgão de inteligência admitiu à PF ter recebido uma missão de levantar informações sobre o caso envolvendo o 04, com o objetivo de prevenir “riscos à imagem” do ex-capitão. 

As movimentações da Abin aconteceram quatro dias depois de Jair Renan e seu preparador físico, Allan Lucena, se tornarem alvo de um procedimento investigatório da PF por suposto tráfico de influência dentro do Palácio do Planalto. 

Segundo apurações, os dois teriam facilitado a entrada no governo para empresários interessados em receber dinheiro público. 

O monitoramento das investigações envolvendo o 04 e o preparador físico veio à tona após, em maio, Lucena acionar a Polícia Militar depois de perceber que estava sendo seguido por um carro. Ao ser abordado, o motorista do veículo se identificou como Luiz Felipe Barros Felix, agente da PF cedido para o órgão de inteligência.

Em depoimento, Felix afirmou trabalhar sob ordens de Alexandre Ramagem, comandante da agência de inteligência e homem de confiança do presidente. 

Segundo o agente, a missão era levantar informações sobre a localização de um veículo doado a Jair Renan e ao personal trainer, avaliado em 90 mil reais, que teria sido cedido por um empresário capixaba, interessado em ter acesso ao governo. 

“O objeto de conhecimento era para saber se os informes que pudessem trazer risco à imagem ou à integridade física do presidente eram verdadeiros ou não”, afirmou o agente. 

A dupla é investigada pela Polícia Federal por intermediar uma reunião com o empresário do Espírito Santo e o então ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. 

Em nota, a Pasta afirmou que a reunião foi solicitada de forma oficial pelo gabinete da Presidência, por meio de um assessor presidencial amigo de Jair Renan. 

No relatório produzido pela PF, investigadores apontam ter havido “interferência nas investigações”. 

O documento também aponta que após vir à tona o monitoramento feito pela Abin no caso do veículo elétrico, o mesmo teria sido devolvido por Lucena. “A referida diligência, por lógica, atrapalhou as investigações em andamento posto que mudou o estado de ânimo do investigado, bem como estranhamente, após a ampla divulgação na mídia, foi noticiado, também, que o sr. Allan Lucena teria ‘devolvido’ veículo supostamente entregue para o sr. Renan Bolsonaro”, pontua o documento enviado à Justiça. 

Em nota, a Abin afirmou não haver documentos oficiais sobre a missão citada por Felix. “Não há registro da referida ação nos sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). O agente de Polícia Federal Luiz Felipe Barros Felix não faz parte dos quadros da ABIN desde 29 de março de 2021”.

O agente foi desligado do órgão 13 dias após ter sido flagrado seguindo Lucena em missão. 

O advogado que representa a família Bolsonaro, Frederick Wassef, afirmou que não houve envolvimento da Abin nas investigações e que o agente se encontrava no local em que foi flagrado “por conta própria”. 

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