‘A sua digital e a do presidente estão nessas mortes’, diz Contarato a Pazuello

'Falar que o senhor saiu com a missão cumprida? Só se a missão a cumprir fosse agravar a pandemia', disparou o senador da Rede

Foto: Reprodução/TV Senado

Foto: Reprodução/TV Senado

Política

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) proferiu um forte discurso contra o ex-ministro Eduardo Pazuello nesta quinta-feira 20, durante a sessão da CPI da Covid em que os parlamentares colhem o depoimento do militar.

 

 

Mesmo não sendo membro da comissão, Contarato tem direito a se manifestar. Ao fazê-lo, apontou a responsabilidade de Pazuello sobre a escalada no número de mortes por Covid-19 no País durante sua passagem pelo Ministério da Saúde, entre maio de 2020 (incialmente como interino) e março deste ano.

“O senhor, como general, sabe o que é uma ordem manifestamente ilegal. A digital do senhor está nessas mortes. Isso é um fato incontestável. Falar que o senhor saiu com a missão cumprida? Só se a missão a cumprir fosse agravar a pandemia”, disparou o senador. “E aí a responsabilidade do senhor, do presidente da República, do ministro [Ernesto] Araújo, das Relações Exteriores, da Secom, é diretamente, seja por ação ou omissão”.

Na quarta-feira 19, seu primeiro dia de depoimento à CPI, Pazuello atribuiu sua saída do cargo de ministro da Saúde a uma “missão cumprida”. Mais tarde, pelas redes sociais, o ex-titular da pasta Luiz Henrique Mandetta provocou: “Dia D , hora H. Omissão cumprida”.

“Porque eu volto a falar: o resultado de que depende a existência de um crime só é imputável a quem lhe deu causa, e considera-se causa a ação ou a omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”, acrescentou Contarato.

O senador da Rede ainda afirmou que, não fosse “esse comportamento inadequado e criminoso”, o País não teria chegado a 441 mil mortes pelo novo coronavírus.

“Nós somos uma vergonha para o mundo. Está sendo violado o principal bem jurídico, que é a vida humana”, declarou Contarato. “O principal bem jurídico foi violado e a digital do senhor está nessas mortes, como a digital do presidente da República, como a digital de todos os ministros da Saúde que passaram por lá, como a digital da Secom e como a digital do ministro das Relações Exteriores”.

 

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