Política

Paulo Preto assombra o tucanato de São Paulo desde as eleições de 2010

Preso pela Operação Lava Jato, o operador do PSDB está envolvido em esquemas do Rodoanel e Trensalão

(Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado)
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Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, preso na manhã desta terça-feira 19, pela Operação Lava Jato , assombra o tucanato de São Paulo desde as eleições presidenciais de 2010, quando se tornou uma pedra no sapato de José Serra (PSDB), que perderia a disputa para Dilma Rousseff (PT).

Na época, o ex-diretor da Dersa foi acusado por integrantes da legenda de ter embolsado cerca de 4 milhões de reais doados por empreiteiras para o então candidato tucano à presidência. Seu poder de barganha ficou evidente naquele ano: prestes a ser abandonado por seus correligionários em meio às denúncias, ele fez uma ameaça velada que fez com que o partido recuasse na sua fritura. “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada, não cometam esse erro”, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo.

Em abril de 2018,ele foi preso em razão das suspeitas de desvios nas obras do Rodoanel Sul, Jacu Pêssego e Nova Marginal Tietê. Em maio, sua prisão foi revogada por um habeas corpus dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Para o ministro, não ficara comprovado que Paulo Preto havia coagido testemunhas, conforme sustentara o Ministério Público.

Essa tinha sido a primeira vez em quatro anos de Operação Lava Jato que o Ministério Público Federal apresentou denúncia de corrupção envolvendo desvio de verba em obras nos governos paulistas.

Desvios e contas na Suíça

A acusação apontava que o ex-diretor de engenharia da companhia de Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) e mais quatro investigados teriam desviado R$ 7,7 milhões entre os anos de 2009 e 2011, época em que o governo estadual estava sob o comando do tucano José Serra.

Apontado como operador do PSDB de São Paulo, Paulo Preto chegou a ter 113 milhões de reais em quatro contas na Suíça em 2016. A revelação foi feita por integrantes do Ministério Público do país europeu, que compartilharam espontaneamente a descoberta com as autoridades brasileiras.

O valor desviado deveria ter sido destinado às famílias que foram desalojadas para dar lugar às obras viárias realizadas pela Dersa na região metropolitana de São Paulo – o trecho sul do Rodoanel, o prolongamento da avenida Jacu Pêssego e a Nova Marginal do Tietê.

Leia também: Lava Jato prende Paulo Preto e faz buscas em endereço de Aloysio Nunes

A fraude envolve aproximadamente 1.800 cadastros feitos indevidamente para os programas de reassentamento das três grandes obras realizados na gestão de Serra. Os cadastros eram para auxílio-moradia, indenizações pelas remoções ou apartamentos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), estatal paulista que trabalha conjuntamente com a Dersa.

Em setembro de 2018, a Segunda Turma do STF refez em parte a decisão de Mendes. Os colegas mantiveram Souza fora da cadeia, mas determinaram a prisão domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica.

Ele também foi acusado pelo MPF de ter fraudado licitações e participado de formação de cartel em obras do Sistema Viário Metropolitano de São Paulo entre 2004 e 2015, caso conhecido como trensalão.

O esquema previa a participação de empresa para fraudar licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Cinco contratos supostamente fraudulentos foram assinados entre 1998 e 2008, enquanto os governadores de São Paulo Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra ocupavam cargo durante o período.

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