Política
A estratégia do Republicanos para dominar o ‘Triângulo das Bermudas eleitoral’ em 2026
Se São Paulo e Minas oferecem perspectivas animadoras ao partido, o Rio de Janeiro apresenta um quadro bem menos favorável
Nos bastidores da política nacional, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais costumam ser chamados de “Triângulo das Bermudas” das eleições. O apelido faz referência ao peso eleitoral dos três estados, que concentram os maiores colégios eleitorais do País e costumam exercer influência decisiva sobre o resultado das disputas nacionais.
De olho em 2026, o Republicanos trabalha com a ambição de conquistar ao menos dois vértices desse triângulo. Hoje, a avaliação predominante na cúpula da legenda é que as condições mais favoráveis estão em São Paulo e Minas Gerais. O Rio de Janeiro, por sua vez, segue como o terreno mais complicado.
Em São Paulo, caciques do partido veem como consolidada a liderança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pela reeleição. Uma pesquisa estadual da Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira 16, mostra Tarcísio com 46% das intenções de voto no principal cenário testado, contra 33% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Mais atrás, aparecem o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), com 8%, e o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB), com 6%.
Os números reforçam a percepção de que o governador chega à pré-campanha como favorito e permitem ao Republicanos direcionar parte de sua energia para outros estados considerados estratégicos.
O segundo foco está em Minas Gerais. Levantamento do Real Time Big Data divulgado em 21 de maio, aponta o senador Cleitinho (Republicanos) na liderança em todos os cenários avaliados. No principal deles, Cleitinho registra 35% das intenções de voto, seguido por Rodrigo Pacheco (PSB), com 15%, Alexandre Kalil (PDT), com 14%, e Matheus Simões (PSD), com 11%.
O cenário ganhou contornos ainda mais favoráveis ao Republicanos após Rodrigo Pacheco anunciar que não pretende disputar o governo mineiro e que deve deixar a política ao final do atual mandato no Senado. A decisão é vista por integrantes da legenda como um fator que fortalece ainda mais a posição de Cleitinho na corrida pelo Palácio Tiradentes.
Se São Paulo e Minas oferecem perspectivas animadoras ao partido, o Rio de Janeiro apresenta um quadro bem menos favorável.
Segundo sondagem da Paraná Pesquisas, divulgada em 4 de junho, o ex-prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), lidera com ampla vantagem. No principal cenário testado, Paes aparece com 48,3% das intenções de voto, percentual próximo ao necessário para vencer ainda no primeiro turno.
Na sequência, surgem o deputado estadual Douglas Ruas (PL), com 12,6%, e o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), com 9,2%.
Apesar da larga vantagem de Paes, dirigentes do Republicanos descartam abrir mão de uma candidatura própria. Mais do que a disputa pelo Palácio Guanabara, o cálculo envolve a necessidade de fortalecer a presença da legenda no estado e impulsionar as chapas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa fluminense.
Nesse contexto, o principal ativo eleitoral do partido continua sendo Anthony Garotinho. Ex-governador do Rio de Janeiro, ele voltou ao radar político após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal relacionadas à Operação Chequinho. Em março deste ano, o ministro Cristiano Zanin anulou a condenação que havia levado à sua inelegibilidade, sob o entendimento de que provas consideradas centrais para o processo foram obtidas de forma irregular.
A decisão devolveu ao ex-governador seus direitos políticos, embora recursos do Ministério Público Eleitoral ainda discutam os efeitos da medida. Na prática, o ex-governador voltou a ser considerado elegível e participa das articulações para 2026, mas sua situação jurídica continua sob acompanhamento da Justiça.
Presidência em aberto
Embora organize seus projetos estaduais, o Republicanos ainda não definiu qual posição adotará na disputa presidencial. Segundo dirigentes envolvidos nas conversas internas, a tendência predominante hoje é pela neutralidade formal da Executiva Nacional, sem um alinhamento obrigatório a qualquer candidatura ao Palácio do Planalto.
A estratégia permitiria ao partido preservar alianças regionais, especialmente em estados onde o Republicanos mantém proximidade com o PL, caso de São Paulo.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Vantagem de Tarcísio sobre Haddad vem do interior, indica pesquisa
Por CartaCapital
A disputa pela presidência entre os eleitores de SP, segundo o Real Time Big Data
Por CartaCapital




