Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil
Cedo, cedo, a relação entre Bolsonaro e Mourão azedou. O vice desandou a falar e surpreendeu não só o eleitorado. Na viagem a Israel já como presidente, Bolsonaro anunciou que levaria a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém. Mourão, de Brasília, rebateu: “Eu não faria isto”.
Este vice não está nos conformes. Pode ser que pretenda ir além do “mais longe”. Bolsonaro, com quase 30 anos de política e seu passado de farda, já deve conhecer os princípios da relação entre os que mandam e os que obedecem. É simples: “Esta parece pneumonia”.
Outros contrapontos à refrega latente se sucederam. O vice chegou a dizer que, fosse presidente, teria escolhido outras pessoas para seu governo. Nas redes sociais, dois dos filhos de Bolsonaro partiram em defesa do pai. Provocação? Não. A surpresa, para alguns, parece levar o caso para outro caminho.

O presidente se dispôs a calar, enquanto os filhos continuaram a provocar. Eles convocaram o “guru” Olavo de Carvalho, ideólogo da família e do bolsonarismo.
A história política da República nada fala, ou quase nada, a respeito da participação dos vices, embora a figura tenha assumido papel importante em vários momentos. À sonolência do governo de Dutra (1946/1951) sucede-se a história turbulenta do governo de Getúlio Vargas, ao cabo traído pelo vice Café Filho. João Goulart foi leal ao presidente Kubitschek, posteriormente Jânio Quadros renunciou e deixou a Presidência do governo a Jango, abatido pelo golpe de 1964.
Foram 21 anos do mando da farda e é impossível não falar da ditadura herdada por Mourão, conquanto de pijama. O vice José Sarney não conspirou contra Tancredo, mas ficou com a Presidência por obra do destino.
Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão são dois companheiros de quartel, mas um é ex-capitão e o outro, um general aposentado. A diferença dos graus talvez explique algumas coisas, entretanto a batalha doméstica é sempre muito difícil.
Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.
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