Roberto Justus, dono do Madero, véio da Havan: o bolsonavírus se debate

A bactéria da ignorância e da má-fé agoniza no asfalto quente do debate público

Junior Durski, bolsonarista dono da rede de lanchonetes Madero - Foto: Guilherme Pupo/Madero/Divulgação

Junior Durski, bolsonarista dono da rede de lanchonetes Madero - Foto: Guilherme Pupo/Madero/Divulgação

Opinião

O slogan diz: “o hambúrguer do Madero faz o mundo melhor”. Vê-se. No mundo melhor do fundador da rede de fast-food, Júnior Dorski, não há problema se 5 a 7 mil vierem a morrer em consequência do coronavírus, desde que, claro, a roda da economia continue a girar e a sua lanchonete possa oferecer um pedaço de carne amassada entre fatias de pães. Quem sabe pitadas de Covid-19 não garantam um tempero especial?

O Brasil não pode parar por causa de uma “gripezinha”, emendam outro chapeiro, Alexandre Guerra, sócio do Giraffa’s, Luciano Hang, o véio da Havan, e o publicitário Roberto Justus, cujo topete deveria ser interditado pela saúde pública e posto em quarentena, separado da cabeça que o carrega. O que são algumas vidas diante da tragédia da recessão?, pergunta a trupe.

A esta altura, nem vale a pena se irritar em demasia com essas declarações. Todo mundo sabe que a ignorância, a má-fé e a mediocridade do bolsonarismo, na maioria das vezes, superam a boçalidade do “mito”. Eles estão irremediavelmente contaminados pelo bolsonavírus. Não há cura. Um cristão poderia dizer: “Que Deus se apiede de suas almas”.

Não é o meu caso. Olho para este conjunto de insanidades como encaro o Covid-19. É uma “peste” assustadora, exige cautela, responsabilidade e quarentena, causará uma deterioração sem precedentes em nossas vidas, relações sociais e pretensões democráticas, exigirá um esforço colossal, de anos, para reparar os estragos, mas vai passar. Talvez mais cedo do que se imaginava.

Por mais desamparada, desinformada e inconsciente, a sociedade brasileira, bombardeada por doses maciças de disparates, acabará imunizada contra a bactéria da estupidez que contaminou a vida pública.

Os bolsonaristas, na verdade, agonizam em praça pública como um vírus no asfalto quente, em companhia daquele que os inspira. Os histéricos são eles. Imagino os segundos finais de um vírus isolado, completamente solitário, sem uma mão, uma sacola, uma sola de sapato sequer para se agarrar e garantir a sobrevivência. Todos os dias, as panelas agem com uma vacina: das janelas, inoculam o antídoto ao bolsonavírus e curam até quem há pouco exibia graves sintomas da doença.

 

Daqui um tempo, quando o governo Bolsonaro for visto sem as máscaras das fake news, ficará a lembrança de uma moléstia que quase matou o País, mas, no fim, acabou controlada como uma gripezinha. Quanto a seus aliados que não descobriram uma maneira melhor de colaborar para a superação da crise a não ser defender os próprios interesses (doar testes e equipamentos hospitalares só reforçaria o pânico, certo?), bem, estes voltarão a seus negócios como se o problema não fosse com eles.

Dedicados empresários, self-made men, vão fritar hambúrgueres de duvidosa qualidade, vender bugigangas chinesas e passar horas no espelho ajeitando as madeixas. Vão fazer a rodar girar, à espreita de uma nova oportunidade para “mudar o Brasil”.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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