O que os militares farão se a incompetência engolir Bolsonaro?

Os generais estão no governo como avalistas do ex-capitão. Por enquanto...

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Opinião,Política

Jair Bolsonaro, no papel de presidente da República, mantém-se como sempre foi: alguém disposto a botar fogo em gasolina. Desajuizado, reativou as “comemorações” nos quartéis, no dia 31 de março, do golpe que derrubou João Goulart em 1964.  A regra vale a partir de agora, caso não surjam outras interrupções.

Tudo começou então com um golpe cruel e de longa duração. Dilma Rousseff foi uma das vítimas da selvageria, ocorrida nos anos 70, quando estava presa e sob tortura como tantos outros. Ao chegar à Presidência décadas depois, ela decidiu terminar com as fanfarras nos quartéis no dia em que lá se homenageava a tragédia.

E, mais, cancelou em cima da hora uma palestra a ser realizada dia 31 de março de 2011. Seria da lavra do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia sobre “A contrarrevolução que salvou o Brasil”. O orador haveria de ser o general de Exército Augusto Heleno. Esse mesmo que hoje ocupa o Gabinete de Segurança Institucional no governo de Bolsonaro.

General, Dilma pretendia apenas repor a história no lugar devido. Foto: Antonio Cruz/ABR

Não havia, porém, desforra na decisão: o objetivo de Dilma era o de retornar com a história ao seu devido lugar. E assim se fez. Suspendeu a data da celebração, em nome da democracia, Bolsonaro, agora, recoloca seu trem nos trilhos. Obviamente, ele nega o golpe. O porta-voz do presidente, general Otávio do Rego Barros, tenta explicar o inexplicável. Diz ele em pregão suspeito: “A sociedade, reunida e percebendo o perigo que o País estava vivendo naquele momento, juntaram-se civis e militares e conseguimos recuperar e recolocar o nosso país em um rumo…”

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Uma olhada rápida na história republicana do País não deixa dúvidas sobre a origem inextinguível da ameaça: os militares estão sempre prontos a soltar seus tanques, donos de um poder inimaginável em um Estado Democrático de Direito. Após o Estado Novo impuseram na Presidência o general Eurico Gaspar Dutra. Depois, regozijaram-se com o suicídio de Vargas, presidente democrático. JK resistiu à pressão fardada, Jânio renunciou e Jango foi defenestrado. Nasceu aí a ditadura que durou 21 anos.

No governo Bolsonaro, os generais funcionam como avalistas e protetores, significam a garantia do poder, a despeito do contraponto do vice Mourão. Mas, se o capitão for tragado por sua própria incompetência, que farão os estrelados? Vale lembrar, de passagem, que o ideólogo da revolução bolsonarista, Olavo de Carvalho, considera Mourão um parvo.

 

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