O Centrão inventou a sua versão do ‘Fora, Bolsonaro’? Fosse uma presepada, o ex-capitão toparia

As supostas maquinações dos senhores do Congresso estão irremediavelmente fadadas ao fracasso, para a sorte da maioria dos brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

Opinião,Política

O mais novo boato em Brasília dá conta de uma manobra imaginada pelo Centrão para se livrar de Bolsonaro sem ser obrigado a abrir mão, antes do fim de 2022, das benesses de integrar esse consórcio tresloucado que conduz o Brasil ao precipício.

Apoiar este governo custa caro e as prestações pagas até agora não são suficientes para compensar o desgaste político dos aliados de ocasião. Líderes do bloco, especulam jornalistas, estariam dispostos a convencer o ex-capitão a desistir da reeleição – suas chances são cada vez mais diminutas, é o argumento -, em troca de imunidade jurídica para o clã.

O presidente completaria o mandato sem o risco de impeachment, protegeria a família e poderia, no fim, bravatear alguma coerência — desde que manter a palavra não confunda sua base, viciada em defender apenas e tão somente os delírios do ocupante do Palácio do Planalto.

Em 2018, para ganhar votos de uma parte dos endinheirados, Bolsonaro se converteu à tese, equivocada, de que a reeleição é uma das causas da disfuncionalidade da política brasileira. Chegou até a insinuar que abriria mão do direito constitucional de concorrer, mas a declaração de outrora integra a lista infindável de mentiras, atualizada diariamente.

O ex-capitão vive, de fato, atormentado pelo risco real de trocar o Palácio do Planalto pela cadeia, em companhia de alguns dos filhos, senão todos. Diante dos seguidores no cercadinho, ele bate no peito e nega a possibilidade, mas só acredita em tanto destemor quem atende ao som do berrante.

De gruja, a solução “Fora, Bolsonaro, mas só em 2023” desobstruiria o pedregoso caminho para a Terceira Via, o nem Lula nem Bolsonaro sonhado pelo mercado financeiro, mas carente de votos. Há quem considere a proposta do Centrão, se não passar de boato, uma ideia de gênio ou uma jogada de mestre. Fora um certo exagero retórico, as maquinações dos senhores do Congresso estão irremediavelmente fadadas ao fracasso, para a sorte da maioria dos brasileiros. Por um simples motivo:  uma “ideia de gênio” não é capaz de comover Bolsonaro. Uma presepada, ao contrário, contaria com a adesão imediata e entusiasmada do presidente. Alguém do Centrão se habilita a propor uma maluquice qualquer?

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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