Opinião

O Brasil é muito maior que Bolsonaro: nós podemos vencer

É preciso não esmorecer diante dessas investidas diárias. É como uma guerra de trincheira. Resistir e contra-atacar

O presidente Jair Bolsonaro (Foto: Evaristo Sá/AFP)
O presidente Jair Bolsonaro (Foto: Evaristo Sá/AFP)
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O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas. (Maiakóvski)
É fato que o mar da política está agitado. A crise econômica combinada com a crise de representação levou um setor do povo a comprar gato por lebre. Bolsonaro se elegeu vendendo-se como antissistema, aproveitando a indignação popular com o regime político e com a velha esquerda que decidiu governar com os mesmos métodos do establishment político brasileiro.
Estamos diante de um governo que combina uma agenda ultraliberal, antipovo e de submissão aos interesses estadunidenses com uma ala de lunáticos. Setores reacionários que querem retroceder em avanços civilizatórios de décadas. Talvez séculos. Um governo que na mesma medida em que perde apoio do povo (sendo a gestão de primeiro mandato pior avaliada em seis meses desde a redemocratização), sinaliza ainda mais para sua base de extrema-direita.
Esses mesmos que defendem o fechamento das liberdades democráticas e que tentam reescrever a história são os que buscam a todo tempo atacar a Constituição de 1988. Entretanto, temos muitas reservas democráticas, que estão nos movimentos de mulheres, nos jovens, na resistência dos indígenas, nos negros e negras, na comunidade LGBTI+ e na história do movimento operário brasileiro.
Infelizmente, tivemos a aprovação da Reforma da Previdência. A unidade burguesa muito superior ao próprio governo fez uma campanha diuturna contra a aposentadoria do povo. Apesar de insuficiente para derrotar o projeto, a greve geral de 14 de junho foi importante e teve sua força, conquistando a retirada da capitalização, das mudanças no BPC e para as trabalhadoras rurais, suavizando um pouco o tempo de contribuição das mulheres e a regra de transição para professores. Mas nenhuma derrota e nenhuma vitória é definitiva.
Não é de se admirar que as pessoas estejam chocadas. Um presidente que ataca a memória de Fernando Santa Cruz, assassinado pelo Estado na Ditadura civil-militar, demite o presidente do Inpe por este revelar os dados do desmatamento na Amazônia, quer indicar o filho à embaixada dos EUA, ataca à liberdade de imprensa e o trabalho jornalístico sério como o de Gleen Greenwald e silencia diante dos ataques de garimpeiros a tribos indígenas.
É preciso não esmorecer diante dessas investidas diárias. É como uma guerra de trincheira. Resistir e contra-atacar. A juventude botou a bola no meio do campo de novo quando protagonizou verdadeiros tsunamis da educação. A última manifestação nacional do #13A em mais de 170 cidades de todos os estados do Brasil mostra que a luta em defesa da educação pública e contra a privatização do saber segue forte e em curso.
Vamos seguir apostando na luta dos estudantes e da comunidade educacional para ganhar o povo para essa luta que é da maioria. Não podemos esquecer das histórias de resistência do nosso povo, que já lutou em tempos históricos bem mais difíceis. Agora é a nossa vez de enfrentar o autoritarismo. Nós podemos vencer.
Fernanda Melchionna

Fernanda Melchionna
É deputada federal pelo PSOL.

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