O Brasil de Bolsonaro tem inflação, fome e falta de soberania

A inflação se acirrou nas garras do Ministério de Minas e Energia, sob influência direta de pitacos do presidente

Foto: Evaristo Costa / AFP

Foto: Evaristo Costa / AFP

Opinião

As lembranças se misturam, esmaecem, clareiam nítidas ou embaçadas. Sem nada disso, apela-se à ajuda de bravos contemporâneos.

Recorro a relato recente no Facebook do amigo e primeiro editor, Lino Bocchini, onde conta o vertiginoso crescimento deste site de CartaCapital, depois de lançado em simpático encontro num bar-restaurante dos Jardins, em São Paulo, 2013.

Convidado, logo nele me incrustei com a missão de analisar agronegócios.

Se falhei na faina semanal, foram poucas as vezes. Sempre que cabível ou de interesse dos leitores persisti no tema. Nunca fui pautado.

 

 

Se o isolamento pela pandemia já tolhia minhas visitas a lavouras, pastos, barracas de beira de estrada, botecos de vilarejos, abrir e fechar rústicas porteiras e, vez ou outra, ser recebido em faustosas Casas-Grandes ou em resistentes Senzalas-Assentamentos, somou-se acidente grave que me impediu publicar a coluna nas últimas semanas.

O que poderia ter algo de reportagem confinou-se a simples observação opinativa. Perdeu o encanto. Espero que dure pouco.

Apesar de ainda não estar recuperado, no entanto, já me sinto apto a chamá-los à agro atenção.

Há pelo menos 15 anos, os países exportadores de commodities agrícolas, em especial o Brasil, se beneficiam das cotações nas bolsas mundiais. O fato de, atualmente, sermos considerados grandes exportadores líquidos de importantes culturas precisou de séculos até sair da condição monocultora ou, pior, por incompetência, perder a proeminência em vários mercados internacionais.

 

Inflação. Cotações Internacionais. Câmbio

O Índice de Preços da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), que avalia a evolução dos preços de cinco grupos de alimentos cotados em bolsas (carnes, laticínios, cereais, óleos vegetais e açúcar), nos 12 últimos meses, teve média de 123 pontos. Entre 2015/2020, a média da base alimentar foi 100. Vale dizer, hoje em dia, o planeta paga substancialmente mais caro, por suas preferências, possibilidades ou política alimentar do governo de plantão.

Os cinco grupos de alimentos considerados pela FAO apenas tropeçam quando determinado país é produtor deficitário de algum item relevante. Entra a importação.

Não me parece o caso de um país, cujo nome não me vem à cabeça, dos maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas, mas que diante de cenários econômicos assim, seus governos chafurdam na Capital e depois evacuam nos Grotões da Miséria Extrema.

Folhas e telas cotidianas desta Federação de Corporações, atualmente, dia e noite, discutem inflação, dando ênfase aos alimentos. Então, foram meses de malhação em caboclos, campesinos, sertanejos, tabaréus e, por que não, ruralistas.

Em sequência, e reconhecidamente causada por incompetências do governo federal, a inflação se acirrou nas garras do Ministério de Minas e Energia, sob influência direta de pitacos de Jair Bolsonaro. Combustíveis e energia elétrica.

Miojo

Sim, temos inflação, sem crescimento, emprego e renda, fome, falta de soberania, empobrecimento cultural, devastação ambiental.

Visto isso, lembro-me o nome do país que mencionei no início: Brasil. O estalo veio quando soube que uma juíza de São Paulo, apoiada pelo Ministério Público, determinou a prisão preventiva de uma mulher com 41 anos, cinco filhos, entre 2 e 16 anos.

Crime: furtou de um supermercado dois pacotes de macarrão instantâneo, dois refrigerantes e um refresco em pó.

Provavelmente, deliciavam-se com o provável futuro banquete. Afinal, no governo do Regente Insano Primeiro, 50% da população não sabe se poderá comer no dia seguinte.

R.M. ficou 14 dias na prisão. Mas garantiu o seu e de sua família naquele dia.

Inté!

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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