Frente Ampla

O papel do discurso de ódio nas eleições de 2022

O bolsonarismo construiu a necessidade de exterminar – em nome do ‘mito’ – todo aquele declaradamente contra os preceitos fascistas mascarados de conservadorismo no Brasil

Foto: EVARISTO SA/AFP
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Desde o início da vida pública, Bolsonaro utilizou os meios de comunicação para promover ataques aos direitos humanos e ideais preconceituosos. Posicionamentos enquadrados em manchetes polêmicas com audiência certa que garantia a visibilidade do veículo e a manutenção da imagem do então deputado federal na mídia. O discurso se tornou mais violento nos últimos quatro anos e se moldou em nova estrutura: a de alguém com influência real entre a massa. 

Bolsonaro tem ciência dessa força de mobilização e usa falas agressivas como arma eleitoral para manter uma base que se vê legitimada com um representante da extrema direita ocupando o cargo de presidente da República. Não é somente intolerância, é também poder. 

Trata-se de um indivíduo tentando representar milhões, uma estratégia comum para dar repercussão a ideologias em diferentes períodos históricos.  Como bem nos apontou o sociólogo Pierre Bourdieu, há discursos predominantes que naturalizam visões individuais e as transformam em posicionamentos do coletivo.  

E Bolsonaro, nesse sentido, tenta e consegue estimular ações: ataques às instituições; questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e a violência contra opositores a partir da criação de um inimigo em comum – o Partido dos Trabalhadores.

Não foi apenas uma fala ou ato que levaram o apoiador de Bolsonaro a matar o tesoureiro do PT, na madrugada do dia 10 de julho, durante a comemoração de 50 anos do petista, que celebrava o aniversário com uma festa que tinha o ex-presidente Lula como tema. O bolsonarismo construiu a necessidade de exterminar – em nome do “mito” – todo aquele declaradamente contra os preceitos fascistas mascarados de conservadorismo no Brasil.

Não à toa, o ex-líder da Ku Klux Klan, o americano David Duke, disse, em 2018: “ele soa como nós”. O discurso de ódio não está isolado e muito menos represado no país. É alimentado em cada live, aparição pública e teorias conspiratórias espalhadas nas redes sociais. Tem relação direta com episódios de violência em que os ataques carregam os ideais bolsonaristas, inclusive ditos em alto e bom som pelo assassino de Marcelo Arruda, conforme relataram testemunhas à Polícia Civil.   

O estímulo ao derramamento de sangue, ao desrespeito à justiça – como no discurso de 7 de setembro do ano passado – e à revolta armada do povo, está registrado e pode ser encontrado numa pesquisa simples na internet, assim como aplausos e o assentimento de parte dos brasileiros. Pois, como também nos explica Bourdieu, alguns públicos se subordinam a discursos dominantes que se naturalizam numa estrutura social.

Bolsonaro ainda tem voz e a usa contra quem o elegeu.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Randolfe Rodrigues

Randolfe Rodrigues
É senador pela Rede/AP, professor, graduado em História, bacharel em Direito e mestre em Políticas Públicas.

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