Frente Ampla

O desgoverno ressuscita a inflação

Para começar a solucionar tais mazelas, só com outra política econômica e com outro governo

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
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A inflação registrada em outubro deste ano é a maior desde 2002, puxada especialmente pelos consecutivos reajustes nos combustíveis e disparada nos preços dos alimentos que compõem a cesta básica. Em 2021 a inflação acumula alta de 8,2%. Nos últimos 12 meses alcança 10,6%, ultrapassando a barreira dos dois dígitos, o que não acontecia desde 2015 e evidencia a total incompetência do governo Bolsonaro.

A alta registrada em outubro, acima do previsto, surpreendeu analistas de mercado e sugerem uma piora do ambiente econômico, bastante desgastado em função da pandemia do novo coronavírus. A expectativa era de que o avanço da vacinação reaqueceria a economia, mas o cenário que se anuncia é de recessão em 2022.

Os prognósticos para a inflação do mês de novembro são desanimadores, com projeções que superam 1%, consolidando a alta de dois dígitos nos índices em apenas 12 meses. Esses resultados são mais do que o dobro daqueles fixados como meta pelo governo federal evidenciando, mais uma vez, a completa inaptidão deste governo em gerir o País.

A disparada dos preços penaliza especialmente a parcela assalariada da população brasileira, cujo poder de compra dos salários foi corroído em função do abandono da política de valorização contínua do salário mínimo pelo governo Bolsonaro. Só os combustíveis acumulam alta de praticamente 50% em 12 meses. Esta elevação dos preços reflete em outros setores da economia, como os alimentos. 

 

Se olharmos para os índices acumulados desde o início da gestão Bolsonaro, a inflação atinge 16,5%. Em 2019 a alta foi de 4,3%. Ano passado, mais 4,5%. Em 2021, mesmo com o avanço da nossa vacinação, a alta já chega na casa dos 8%. Enquanto o mundo dá sinais de recuperação econômica ao passo que controla a pandemia, no Brasil vemos a renda diminuir, o desemprego aumentar e a inflação sair do controle.

A piora do ambiente econômico não é fruto do acaso, mas resultado direto da gestão desastrosa empreendida pelo governo Bolsonaro. Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para composição do IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – utilizado para medir a inflação oficial – tiveram alta. 

A alta contínua da inflação pressiona o Banco Central a elevar novamente a taxa básica de juros (Selic) com consequências diretas no dia-a-dia da população brasileira. Em outubro, subiu para 7,75% ao ano, sendo que a previsão é que feche 2021 na casa dos 9,25%. Para 2022 a expectativa é ainda pior, com projeções que variam de 10,25% a 11% ao ano. 

Uma consequência direta da elevação da taxa Selic é a redução do consumo das famílias brasileiras – em função da sua dependência de crédito – impactando o crescimento e a retomada da economia no país. Com a inflação sob controle, a taxa básica de juros é mantida em um patamar menor. Dessa forma, estimula o consumo e a produção, auxiliando na geração de emprego e renda para a população. 

O caos econômico pelo qual passamos é responsável por devolver o Brasil ao mapa da fome da ONU, condição que havíamos deixado em 2014. São aproximadamente 19 milhões de pessoas que diariamente não têm o que comer, fora outras 100 milhões incapazes de manterem uma dieta diária minimamente satisfatória, isto é, em situação de insegurança alimentar. Ao longo da pandemia, 36% da nossa população declarou passar fome. 

Toda esta tragédia pode ser vista nas ruas das cidades brasileiras com o aumento da mendicância, da violência urbana e fechamento de empresas. Para começar a solucionar tais mazelas, só com outra política econômica e com outro governo.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Randolfe Rodrigues

Randolfe Rodrigues
É senador pela Rede/AP, professor, graduado em História, bacharel em Direito e mestre em Políticas Públicas.

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