Afonsinho

Médico e ex-jogador de futebol brasileiro

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Emoções mundiais

O fim da Copa do Mundo Feminina e o Mundial de Atletismo estampam, nas transmissões, a imagem do que significa a garra esportiva

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Veloz. Sha’Carri Richardson venceu os 100 metros rasos – Imagem: Jewel Samad/AFP
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O Mundial de Atletismo, a ser encerrado no domingo 27 em ­Budapeste, na Hungria, tem tido emoções a valer. Nas diversas modalidades em disputa, vemos serem colocadas à prova todas as valências físicas do ser humano, levadas aos seus limites máximos em cada etapa e, principalmente, nas decisões finais.

Acompanhando algumas provas, como salto em distância, os famosos 100 metros rasos e os 10 mil metros, vi cenas marcantes, não só do altíssimo desempenho esportivo, mas da emoção que toma conta dos atletas.

Também essa emoção é levada ao limite. Tanto nas provas femininas quanto nas masculinas, a imagem da garra é exposta de maneira impressionante. Podemos estar distantes, acompanhando aqueles momentos decisivos pela televisão, mas nos sentimos perto daquilo que os atletas estão vivenciando.

Por mais que eles cheguem preparados, até – mesmo em termos emocionais – quando se está em uma disputa final dentro de um campeonato dessa relevância é como se o perfil de cada atleta explodisse. No rosto de cada um deles surge a expressão máxima das emoções, de acordo com as individualidades.

Vemos a concentração, a decepção e a comemoração, seja em provas explosivas, de “tiro curto”, seja nas extenuantes maratonas. Os “passarinhos” pele e osso, em sua maioria africanos, dos 10 mil metros são inacreditáveis em sua capacidade de resistência e perseverança.

Também foi emocionante ver a norte-americana Sha’Carri Richardson. Ela parecia custar a entender o que havia conquistado, depois de haver superado as favoritas na prova dos 100 metros rasos. Sha’Carri, com o tempo de 10s65, tornou-se campeã mundial.

Também na Europa, acompanhamos o Mundial de Futebol Feminino. A vitória da Espanha não deixou nenhuma dúvida quanto à sua superioridade neste momento, tanto no que diz respeito aos clubes do país quanto de sua seleção. Não foi fácil a decisão diante da seleção inglesa, na final, mas o time espanhol fez o gol da vitória.

Cabe lembrar que as seleções espanholas são campeãs também nas categorias Sub-20 e Sub-17. Tudo isso é resultado da forma altamente profissional com que os clubes conduzem as carreiras das atletas.

A solidez da caminhada da seleção espanhola foi construída com muitos percalços. Tais percalços culminaram, inclusive, com uma paralisação no meio da trajetória. Havia uma insatisfação no grupo com as desigualdades dentro da seleção. O fim também acabou sendo perturbado pelo gesto intempestivo do “cartolão” ao beijar na boca a craque da sua seleção.

O impressionante nível do Mundial da Nova Zelândia e da Austrália consolidou definitivamente, sob todos os aspectos, o futebol feminino. Resta agora partirmos para a afirmação do esporte sem distinção de gêneros.

Por estas bandas, por fim, vamos alternando altos e baixos, como de hábito. Nossos clubes se dividem entre Brasileirão, a Copa do Brasil, a Sul Americana e a Libertadores. Enquanto isso, na Europa, vão se iniciando as disputas. Os árabes, por sua vez, entram “de sola” no calendário mundial e os americanos “comem pelas beiradas”, mineiramente.

Por falar nisso, o Athletico Paranaense anuncia as obras de acabamento do seu magnífico estádio rubro-negro, e o time dá uma “rateada”, como quase sempre acontece aos clubes que encaram a empreitada da casa nova.

No campo das Sociedades Anônimas de Futebol (SAF), a última polêmica nasceu das críticas do ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez sobre a situação financeira do Botafogo – em sua marcha surpreendente e alegre na liderança do Brasileirão. •

Publicado na edição n° 1274 de CartaCapital, em 30 de agosto de 2023.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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