Coloquem-me na lista de detratores, escreve Rui Daher

'Somos desiguais em educação, gênero e renda, diz o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)'

Foto: EVARISTO SA / AFP

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Opinião

Na Federação de Corporações Brasil divergem, podem até se agredir, os Sem-Noção e os Sem-Nação. Pesquisas, que não me parecem marotas, indicam 30% da população no primeiro grupo e 70% no segundo.

 

 

 

Hoje em dia, ousaria somá-los e resultar 100% dos aqui residentes e sobreviventes de vírus e vermes. Vá lá, com 2% para mais ou para menos, imbecilidade estatística digna de nosso eleitorado e da mídia, ao sabor dos ventos como birutas de aeroportos.

É o que foi anunciado pelo Instituto Datafolha nesta semana, a agredir-me em cada nova informação, da mesma forma fazendo-me também parecer biruta. Daí preferir não acreditar. Durmo melhor.

O que sei? Para vocês, terço, nada. Para os demais, espero que muito. Esforço-me.

A América Latina regrediu 30 anos no aspecto nutricional das populações. A constatação vem da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), não mais dirigida pelo excelente José Graziano da Silva, comunista na acepção dos 30% seguidores do Regente Insano Primeiro.

A pandemia ajudou? Sim. Não só. O planeta teve forte prejuízo sanitário, mas fome na hegemonia não grassou. Pelo contrário. Vejam os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) recém publicados, onde caímos cinco posições no ranking.

Somos desiguais em educação, gênero e renda, diz o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Pobres, fortes apenas na exportação de bens primários, entregamos soberania, biodiversidade e respeito mundial em troca de convivermos com a ultradireita no Poder.

Nossos últimos estertores de investimento em infraestrutura, por ironia, vieram do golpe civil-militar de 1964. Depois de 21 anos, libertamo-nos em expressão para uma democracia fajuta, equivocada, que pouco afetou aqueles que, socialmente, poderiam garantir desenvolvimento integrado.

A partir dos anos 1990 aderimos à financeirização do capitalismo. Nos …, vá lá, ferramos. Claro que alguém ganhou e continua fazendo dinheiro, como pensa, fala e idolatra o “mercado” e a matriz bolsonarista. O Posto Ipiranga? Nem mais Chicago o reconhece.

O Brasil não acompanha nações esclarecidas que reconhecem no desenvolvimento sustentável algo que inclui o meio ambiente, mas vai além. O principal motor do capitalismo e da democracia bate na diminuição das desigualdades sociais, estas de qualquer cepa.

Glorifica-se o fato de estar previsto o Valor Bruto da Produção (VBP) na agropecuária, em 2021, ultrapassar um trilhão de reais. Claro que é bom, provável consolo diante de tantas conhecidas mazelas.

A ponto de eu perguntar aos meus retroses, já que os botões são do Mino, por que, então, cresce o número daqueles em situação de extrema pobreza, necessária uma pandemia para o governo abrir os cofres de forma emergencial?

Mortos mais de 180 mil, vacinação em luta política, e o telefone do Instituto detecta paciência e razoável aprovação aos “gripezinha” e logístico general no Ministério da Saúde.

Só um favor: coloquem-me na lista de detratores. Sou vaidoso.

Inté.

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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