Luiz Gonzaga Belluzzo

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Economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.

Opinião

Bolsonaro imita Hitler?

Os conspiradores nazi-bolsonaristas não conseguem sequer originalidade em seus atentados contra a democracia

O incêndio no Reichstag. Imagem: Wikipedia
O incêndio no Reichstag. Imagem: Wikipedia
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O jornalista Matheus Leitão escreve na revista Veja: “Órgãos de inteligência estão investigando uma suspeita de ataques ao 7 de Setembro com viés golpista – e o intuito de criar um factoide político para mudar o curso da eleição de 2022 – envolvendo grupo radicais de direita. O ato criminoso seria realizado para ferir os próprios bolsonaristas, gerar pânico na sociedade e, em seguida, colocar a culpa na esquerda.”

Os conspiradores nazi-bolsonaristas não conseguem sequer originalidade em seus atentados contra a democracia. Pior ainda, no afã de preparar e executar suas perversidades terroristas, os “homens de bem” sinalizam que estão organizando a farsa de Copacabana à semelhança do Incêndio do Reichstag.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Onde há fumaça, há fogo, e onde há fogo, teorias conspiratórias certamente seguirão cumprindo suas funções destrutivas. Foi isso o que aconteceu na Alemanha em 27 de fevereiro de 1933, quando o Parlamento alemão, o Reichstag, foi  vitimado por um ataque incendiário.

A jornalista e escritora Lorraine Boissoneault, do Smithsonian Magazine, escreveu um relato sucinto e preciso a respeito das circunstâncias sociais e política que levaram ao atentado incendiário ao Reichstag.

Vou reproduzir dispensando as aspas. Diz Lorraine que a derrocada econômica do início da década de 1930 não permitia a nenhum partido político obter maioria no Reichstag. A Alemanha ficou à mercê de frágeis coalizões políticas incapacitadas a tomar as decisões que a catástrofe econômica recomendaria. Diante do caos político, o presidente Paul von Hindenburg dissolveu o Reichstag várias vezes. Eleições frequentes se seguiram.

Os nazistas se alinharam com outras facções de direita e gradualmente trabalharam até 33% dos votos — mas não conseguiram alcançar uma maioria plena. Em janeiro de 1933, Hindenburg relutantemente nomeou Hitler como chanceler a conselho de Franz von Papen, um ex-chanceler descontente que acreditava que os partidos burgueses conservadores deveriam se aliar aos nazistas para manter os comunistas fora do poder.

5 de março foi definido como a data para outra série de eleições do Reichstag na esperança de que um partido possa finalmente alcançar a maioria.

Enquanto isso, os nazistas infiltraram-se na polícia e capacitaram membros do partido como agentes da lei. Em 22 de fevereiro, Hitler usou seus poderes como chanceler para inscrever 50.000 homens nazistas da SA (também conhecidos como stormtroopers) como policiais auxiliares. Dois dias depois, Hermann Göring, ministro do Interior e um dos nazistas mais próximos de Hitler, ordenou um ataque à sede do Partido Comunista. Após o ataque, os nazistas anunciaram (falsamente) que tinham encontrado evidências de material sedicioso. Alegaram que os comunistas planejavam atacar prédios públicos.

Na noite de 27 de fevereiro, por volta das 9h, pedestres perto do Reichstag ouviram o som de vidro quebrando. Logo depois, as chamas eclodiram no prédio. Os bombeiros levaram horas para apagar o incêndio, que destruiu a cúpula dourada do Reichstag, causando mais de 1 milhão de dólares em danos. A polícia prendeu um trabalhador da construção holandesa desempregado chamado Marinus van der Lubbe no local. O jovem foi encontrado do lado de fora do prédio com bombeiros em sua posse e estava ofegante e suado.

“Este é um sinal dado por Deus”, disse Hitler a von Papen quando chegaram ao local. “Se este fogo, como acredito, é obra dos comunistas, então devemos esmagar esta praga assassina com um punho de ferro.”

O canário trinou os piados da mentira na mina de carvão da política alemã. O incêndio foi usado por Adolf Hitler para impulsionar os temores públicos com o propósito de consolidar o poder da escumalha nazista.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Luiz Gonzaga Belluzzo

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