Mundo
Trump retira Brasil da lista de países em desenvolvimento
Medida adotada pelo presidente americano pode restringir benefícios comerciais concedidos às nações que estão nessa categoria
Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira 10, que o Brasil foi retirado da lista de países em desenvolvimento. Em nota divulgada pelo Departamento de Comércio, mais 18 países como África do Sul, Índia e Colômbia também foram retirados dessa lista.
Segundo a nota, o objetivo do governo Trump é reduzir o número dos países em desenvolvimento que poderiam receber tratamento especial sem serem afetados por barreiras contra seus produtos.
Com isso, o tratamento preferencial dados a esses países nas negociações pode diminuir. Esses benefícios são, por exemplo, prazos mais longos para negociar, vantagens tarifárias e de acesso a mercados. A medida também diminuirá as barreiras para que o presidente dos EUA, Donald Trump, investigue, por exemplo, casos de exportações subsidiadas em outros países.
O Departamento de Comércio frisou, também, que a medida foi motivada por pedidos de adesão à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Durante a visita de Jair Bolsonaro a Washington em março de 2019, o presidente brasileiro aceitou abrir mão de status de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC) em troca do apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE.
Além disso, também levou em conta o fato de um país ser membro do G20, grupo composto pelo Brasil e mais 18 nações, além da União Europeia (UE) . “Dada a importância econômica global do G20 e o peso econômico coletivo […], ser membro do G20 indica que um país é desenvolvido”, diz o texto da decisão.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



