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Sob Trump, confiança de europeus nos EUA nunca foi tão baixa
Em 2024, quando o americano venceu as eleições, dois em cada dez europeus viam na Casa Branca um aliado. Hoje, só um em cada dez europeus pensa assim, aponta nova pesquisa
Desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, a confiança da Europa nos Estados Unidos vem caindo acentuadamente e, de acordo com uma nova pesquisa, atinge agora uma baixa histórica. Apenas 11% dos europeus em 15 países enxergam no país um aliado, mostram dados divulgados nesta quarta-feira 10 pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR).
O mesmo índice era de 16% há seis meses e, em novembro de 2024, quando o republicano venceu a corrida presidencial americana pela segunda vez, de 22%.
O levantamento do ECFR mostra que os europeus “abraçam a autossuficiência e têm uma visão clara sobre Donald Trump”, embora não esperem que a relação desmorone completamente diante dos atuais desafios.
A maioria dos entrevistados não acredita que os EUA defenderiam a Europa em caso de ataque, mas prevê uma melhora das relações transatlânticas quando Trump deixar o cargo.
Tensões no segundo mandato
No segundo mandato, Trump impôs tarifas a países europeus e ameaçou retirar os EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), por considerar insuficientes os seus gastos com defesa e o seu apoio à guerra contra o Irã.
O republicano também repetidamente sinalizou a intenção de assumir o controle da Groenlândia, que integra a Dinamarca, membro da Otan e da União Europeia (UE).
No mês passado, os EUA disseram que começariam a retirar tropas estacionadas na Alemanha, em meio a uma disputa entre Trump e Friedrich Merz. O chanceler federal alemão havia declarado que os EUA estavam sendo “humilhados” pelo Irã.
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, quando chegavam ao auge as ameaças de Trump sobre a Groenlândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, associou o enfraquecimento dos laços com os EUA à “necessidade de construir uma nova forma de independência europeia”.
Visões sobre a Ucrânia
O presidente dos EUA também tem repetidamente atribuído à Ucrânia parte da responsabilidade pela invasão russa e buscado relações mais próximas com o presidente russo, Vladimir Putin.
A pesquisa constatou ainda que a maioria dos europeus apoia a Ucrânia, mas demonstra cautela quanto à sua eventual adesão à UE e ao envio de tropas para participar da guerra contra a Rússia.
Já no setor energético, a maior parte dos entrevistados reconhece que o continente enfrenta uma crise, mas “permanece firmemente contrária às importações de combustíveis fósseis russos”, segundo o levantamento.
Mais gastos com defesa
Em comparação com o ano passado, os europeus estão 4% mais propensos a apoiar o aumento dos gastos com defesa. Além disso, quase metade (47%) dos entrevistados disse apoiar o endividamento coletivo da UE para financiar projetos do setor.
Os entrevistados apoiam majoritariamente também a redução da dependência europeia de armamentos dos EUA em favor da indústria militar europeia.
A pesquisa, realizada em maio de 2026, ouviu adultos na Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.
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