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Merz diz ver os EUA sendo ‘humilhados’ na guerra contra o Irã
Chanceler federal alemão avalia que o Irã se mostrou mais resiliente do que o esperado e que falta aos Estados Unidos uma estratégia para sair da guerra
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira 27 que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” em sua guerra contra o Irã. Segundo ele, parece faltar a Washington uma estratégia clara, e há dúvidas sobre como os EUA pretendem sair do conflito.
“Os iranianos estão claramente mais fortes do que se esperava, e os americanos claramente não têm uma estratégia realmente convincente nas negociações”, disse Merz durante uma visita a uma escola em Marsberg, cidade de sua região natal, Sauerland.
“O problema com conflitos como este é sempre o seguinte: não basta entrar, é preciso também sair. Vimos isso de forma muito dolorosa no Afeganistão por 20 anos. Vimos isso no Iraque.”
“No momento, não vejo qual saída estratégica os americanos vão escolher, sobretudo porque os iranianos estão claramente negociando de forma muito habilidosa – ou muito habilidosamente não negociando”, afirmou.
Merz acrescentou que “uma nação inteira está sendo humilhada pela liderança iraniana, em particular pela chamada Guarda Revolucionária”.
Como a guerra com o Irã afeta a Alemanha?
Merz disse que a situação no Oriente Médio tem provocado um forte efeito econômico negativo na Alemanha.
“No momento, é uma situação bastante complicada”, afirmou. “E isso está nos custando muito dinheiro. Esse conflito, essa guerra contra o Irã, tem impacto direto sobre a nossa produção econômica.”
O chanceler federal disse que a Alemanha mantém a oferta de enviar navios varredores de minas para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa uma grande parcela do fornecimento global de petróleo.
No entanto, segundo Merz, isso depende do fim prévio das hostilidades.
O chanceler federal ressaltou que a Alemanha precisa agora assumir um papel de liderança na União Europeia e destacou que o bloco tem 100 milhões de habitantes a mais do que os Estados Unidos. “Se nos uníssemos de forma mais eficaz e fizéssemos mais coisas juntos, poderíamos ser pelo menos tão fortes quanto os Estados Unidos”, afirmou.
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