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Segurança física de Petro está em risco, afirma senadora colombiana

‘Em nenhum lugar do mundo um candidato presidencial tem que fazer campanha nestas condições’, desbafa María José Pizarro

Gustavo Petro

Foto: Juan BARRETO / AFP
Gustavo Petro Foto: Juan BARRETO / AFP
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Com a possibilidade de uma inédita vitória nas eleições presidenciais marcadas para este domingo 29, a esquerda colombiana vive dias de euforia e medo. A primeira sensação vem das pesquisas internas que apontam a possibilidade de a disputa ser liquidada já no primeiro turno. A segunda deriva das diversas ameaças que pairam sobre o candidato Gustavo Petro e da incerteza sobre a própria realização das eleições.

O motivo? Começou a ganhar corpo na mídia conservadora e nos setores mais à direita um movimento que pede a destituição de Alexander Vega, chefe do Registro Civil Nacional, órgão responsável pela organização das eleições.

De acordo com a senadora María José Pizarro, da coalizão Pacto Histórico, três tipos de risco preocupam a esquerda no país. Ela pede a colaboração da comunidade internacional para que as eleições aconteçam em clima de normalidade e segurança. Pizarro fala também sobre as chances de vitória no primeiro turno e analisa as candidaturas adversárias.

No mesmo dia em que Petro foi obrigado a discursar cercado por guarda-costas que empunhavam escudos à prova de disparos de fuzil e metralhadora, a parlamentar desabafa: “Em nenhum lugar do mundo um candidato presidencial tem que fazer campanha nestas condições”.

Confira a seguir:

CartaCapital: Existe de fato o risco de as eleições de domingo não acontecerem por uma manobra da direita? Quais as maiores preocupações da esquerda nestas horas que antecedem a votação?

María José Pizarro: A campanha de Gustavo Petro enfrenta três tipos de risco. O primeiro é a segurança física e pessoal do candidato. Essa preocupação é consequência das ameaças de atentado que foram verificadas e que obrigaram a suspensão das visitas de Petro a algumas regiões específicas. O candidato faz campanha em meio à ansiedade e à incerteza e com um esquema de segurança amplo com colete à prova de balas, escudos e púlpitos blindados. Isso tudo gera um clima muito complexo na hora de fazer uma campanha. Em nenhum lugar do mundo um candidato presidencial tem que fazer campanha nestas condições.

Também estamos falando dos ataques midiáticos e de uma narrativa que os conservadores construíram durante toda a campanha e mesmo antes de ela começar: todos contra Petro. Tivemos que lidar com uma série de notícias falsas, más interpretações ou notícias superdimensionadas, que definitivamente nos colocaram em uma situação bastante complexa na hora de enfrentar os meios de comunicação e dialogar com a opinião pública. É uma matriz midiática estabelecida, sobretudo, pelo uribismo e pelos candidatos do partido do governo.

E, em terceiro lugar, falamos da segurança jurídica e eleitoral, que passa por essa contínua ansiedade em relação à possível suspensão do registrador nacional Alexander Vega, pela suspensão do prefeito de Medelín, Daniel Quintero, efetuada pela Procuradoria-Geral, e pelo fato de não se ter adjudicado a auditoria internacional no software eleitoral. É um clima de insegurança com relação à transparência e à liberdade do processo eleitoral democrático de colombianos e colombianas.

CC: O que fazer para evitar a virada de mesa?

MJP: Dada a ausência dessa auditoria, consideramos determinante o papel das missões de observação e da comunidade internacional em geral para a proteção da democracia e da institucionalidade na Colômbia. Fazemos também um chamado aos democratas do nosso país para acompanhar o processo e evitar que a direita recorra a uma ruptura institucional para impedir que o governo progressista que representamos possa ter início na Colômbia.

CC: É possível que Petro vença as eleições no primeiro turno?

MJP: Nossa aposta é vencer no primeiro turno e estamos convencidos de que isso é possível. Mas, esperamos ter garantias para todo o processo eleitoral. É onde acreditamos poder haver uma reação daqueles que têm governado o país e não querem que a representação progressista assuma a Presidência.

CC: E qual cenário para o segundo turno, se houver?

MJP: Em um cenário de segundo turno, temos que focar em derrotar quem quer que esteja lá para enfrentar Gustavo Petro. Para nós é mais favorável que seja o candidato da direita, Federico Gutiérrez, que está estagnado nas pesquisas. Há também Rodolfo Hernández, que guarda um ás sob a manga e mantém um discurso no qual fala o que o país quer ouvir, mas sem nenhuma retaguarda de rigor, propostas substantivas e conhecimento do Estado.

Ambos os adversários são preocupantes. Neste sentido, eu não saberia dizer qual das duas figuras é a mais perigosa. Nós trabalharemos arduamente para ganhar no primeiro turno e velar pelo cuidado da votação.

CC: Hernández surgiu como alguém de “fora da política” e, segundo as pesquisas, pode chegar ao segundo turno. O Pacto Histórico espera que ele cumpra seu papel para que as eleições ocorram em clima de normalidade?

MJP: Esperamos que Hernández esteja do lado da democracia. Neste sentido, sua voz é importante para pedir às instituições na Colômbia que estas eleições se deem no marco da legalidade e com todas as garantias e segurança.

CC: A elite conservadora ainda não está preparada para aceitar um governo de esquerda na Colômbia?

MJP: Vemos com preocupação a matriz de opinião que setores do centro democrático vêm construindo para não reconhecer os resultados das eleições em caso de uma vitória nossa, como muito possivelmente poderá ocorrer. Frente a esta situação, nos cabe alertar as instituições nacionais e a comunidade internacional sobre os fatos que ocorrem na Colômbia.

Maurício Thuswohl
Repórter da edição impressa de CartaCapital no Rio de Janeiro

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