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NY Times: Imagens de satélite colocam em xeque as alegações da Rússia sobre corpos em Bucha

Segundo o jornal americano, registros contrariam a versão de que soldados russos estavam fora do local quando as mortes ocorreram

Moscou diz que soldados russos não têm relação com 'massacre' em Bucha, na Ucrânia. Foto: Sergei Supinsky/AFP
Moscou diz que soldados russos não têm relação com 'massacre' em Bucha, na Ucrânia. Foto: Sergei Supinsky/AFP
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O jornal americano The New York Times rebateu, nesta segunda-feira 4, a versão de que a Rússia não estaria envolvida nos ataques a Bucha, na Ucrânia. O caso diz respeito à descoberta de 300 corpos de civis enterrados em valas comuns, a poucos quilômetros de Kiev, segundo denúncia das autoridades ucranianas no domingo 3.

Enquanto a Ucrânia acusa a Rússia de ter cometido um “massacre deliberado”, o governo de Vladimir Putin afirma que seus soldados não têm relação com os assassinatos dos civis. Moscou alega que as forças militares foram retiradas do local antes das mortes, em 30 de março.

O país culpou “radicais ucranianos” pela “encenação” e solicitou uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O representante do Kremlin na ONU, Vasile Nebenzya, declarou que Moscou apresentará provas.

O NYT, porém, disse ter analisado vídeos e imagens de satélites que mostrariam que muitos dos civis foram mortos mais de três semanas antes, quando os militares russos ainda estavam no controle da cidade.

As imagens de satélite foram fornecidas pela empresa americana Maxar Technologies. Segundo o NYT, um dos vídeos mostra pelo menos 11 civis mortos na rua Yablonska, desde 11 de março.

As causas das mortes não são claras, de acordo com o jornal. No entanto, conforme análise do veículo, as imagens mostram objetos escuros de tamanho semelhante ao de corpos humanos entre 9 e 11 de março, em uma mesma posição por três semanas. Alguns dos cadáveres estavam ao lado de crateras e de carros abandonados, com as mãos amarradas nas costas.

Outro vídeo mostraria mais três corpos, surgidos entre 20 e 21 de março – um deles ao lado de uma bicicleta, outro perto de um automóvel abandonado.

Segundo a Reuters, um alto funcionário do Departamento de Defesa dos Estados Unidos declarou que os militares não têm condições de confirmar de forma independente os relatos da Ucrânia sobre a prática de crimes pelas forças russas no local.

“O Pentágono não pode confirmar isso independentemente e sozinho, mas também não estamos em posição de refutar essas alegações”, disse o funcionário, sob condição de anonimato.

A Alemanha classificou os atos como “crimes de guerra”. Já a Polônia reivindicou a criação de um comitê internacional para investigar o que chamou de “genocídio” na Ucrânia.

Segundo o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, a Casa Branca deve impor novas sanções econômicas à Rússia, que já se tornou alvo de diversos bloqueios desde o começo da invasão, em 24 de fevereiro.

CartaCapital
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