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Nos EUA, menina de 10 anos grávida após estupro é obrigada a cruzar divisa para interromper a gestação

Segundo a mídia local, ela viajou para outro estado, onde o aborto ainda é legal, para interromper a gravidez

Foto: iStock
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Três dias depois da Suprema Corte americana reverter o direito constitucional ao aborto, uma menina de dez anos, grávida de seis semanas e três dias após ser estuprada, foi impedida de realizar o procedimento no estado de Ohio, onde mora.

Um documento, revelado pelo jornal The Indianapolis Star, mostram que um médico local, especializado em casos de violência sexual contra menores, tentou contato com uma obstetra-ginecologista de outro estado para buscar formas de auxiliar essa paciente.

A criança não pode realizar o procedimento em Ohio porque o estado proíbe o procedimento após seis semanas, sob o argumento de que a atividade cardíaca fetal a esta altura já pode ser detectada. A menina, segundo a imprensa, estava grávida de seis semana e três dias.

Em Indianapólis, para onde ela foi encaminhada, as mudanças na lei do aborto ainda serão discutidas pela Assembléia Geral do estado em uma sessão especial em 25 de julho. 

Ou seja, futuras vítimas de abuso sexual provavelmente não terão a opção de viajar para o estado para realizar um aborto. 

A médica responsável pelos cuidados com a garota, disse em entrevista ao Columbus Dispatch que a quantidade de encaminhamentos para Indiana cresceu em larga escala. “É difícil imaginar que em apenas algumas semanas não teremos capacidade de fornecer esse cuidado”, afirma.

‘Ela só tem dez anos’ 

O caso provocou forte repercussão entre políticos. Na noite da última sexta-feira, o procurador-geral democrata da Carolina do Norte, Josh Stein, classificou as leis que proíbem a menina de fazer um aborto como “loucas”.

“Uma criança de 10 anos vítima de abuso negou um aborto em OH porque estava grávida de seis semanas e três dias. Isso é loucura. Ela tem 10 anos!”, escreveu em seu twitter. 

No domingo, a governadora republicana Kristi Noem, da Dakota do Sul, cotada como potencial companheira de chapa de Donald Trump em 2024, defendeu as leis restritivas de aborto.

Noem disse em entrevista à CNN que a história “horrível” da menina a manteria acordada à noite, mas que os estados estão fazendo a coisa certa.

 “O que eu diria é que não acredito que uma situação trágica deva ser perpetuada por outra tragédia. Há mais que precisamos fazer para ter certeza de que realmente estamos vivendo uma vida que diz que toda vida é preciosa, especialmente vidas inocentes que foram destruídas como aquela menina de 10 anos”, disse.

Camila da Silva

Camila da Silva
Repórter e Produtora de CartaCapital

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