Entrevistas

Nasser: Contra decisão do ‘narcoterrorismo’, Itamaraty deveria repetir a linha do tarifaço

Na avaliação do professor, o impacto do ato dos EUA nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro será um ‘voo de galinha’

Nasser: Contra decisão do ‘narcoterrorismo’, Itamaraty deveria repetir a linha do tarifaço
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A atuação da diplomacia brasileira nas negociações do tarifaço imposto pelo norte-americano Donald Trump é um bom guia para o episódio da classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como “narcoterroristas”, afirmou Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC de São Paulo, em entrevista ao canal de YouTube de CartaCapital.

Em resumo: o governo deveria se manifestar, nos fóruns de negociação, de maneira firme e clara, mas sem adotar, até entender melhor a extensão das medidas, políticas de reciprocidade. A postura, diz, não só funcionou, mas irritou a Casa Branca.

Segundo Nasser, a grande incógnita é o grau de arbitrariedade da decisão anunciada pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, após a visita do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) a Washington. “Pode não acontecer nada e pode acontecer tudo.”

O professor acha, porém, pouco provável que os Estados Unidos se arrisquem em operações militares terrestres em território brasileiro. “O PCC e o CV atuam em áreas urbanas, de grande concentração de moradores, ao contrário de guerrilhas como as Farc. Isso torna uma operação muito complicada”.

Quanto aos eventuais ganhos eleitorais do filho 01 de Bolsonaro, Nasser acredita em um efeito contrário. Essas medidas dificultam a vida dos brasileiros que viajam ou fazem negócios nos Estados Unidos, acrescenta. “Vai desviar a atenção das relações do Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro por um tempo. Será, no entanto, um voo de galinha.”

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