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‘Meu corpo, minha escolha’: milhares protestam nos EUA a favor do direito ao aborto

Os protestos são uma resposta ao rascunho de um parecer vazado que mostra que a maioria conservadora da Suprema Corte considera derrubar ‘Roe v. Wade’

Manifestante em Washington reforça que aborto é questão de saúde pública. Foto: Jose Luis Magana/AFP
Manifestante em Washington reforça que aborto é questão de saúde pública. Foto: Jose Luis Magana/AFP
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Milhares de pessoas, muitas vestidas de rosa, saíram às ruas nos Estados Unidos neste sábado 14 em um dia nacional de manifestações por acesso seguro e legal ao aborto.

Os protestos são uma resposta ao rascunho de um parecer vazado que mostra que a maioria conservadora da Suprema Corte do país está considerando derrubar “Roe v. Wade”, uma decisão histórica de 1973 que garante o acesso ao aborto em todo o território americano.

“Penso que ninguém tem o direito de tomar uma decisão sobre o corpo de outra pessoa”, disse Hanna Williamson, de 20 anos, da cidade de Suffolk, Virgínia. Ela dirigiu três horas para se juntar a milhares de manifestantes em Washington. “Acho que isso deve ser deixado para cada indivíduo decidir. Estou lutando pelos direitos de todos.”

Cerca de 3.000 pessoas se reuniram em uma praça central no Brooklyn e se preparavam para carregar um banner rosa gigante que dizia: “Nossos Corpos. Nossos Futuros. Nossos Abortos”. Havia manifestantes, entre eles o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, e outros democratas influentes, de todos os gêneros e idades, e muitos vestiam verde.

“Há um grupo de pessoas neste país que está trabalhando para desmantelar 60 anos de direitos civis e liberdades civis dos Estados Unidos da América”, declarou Linda Sarsour, ativista dos direitos das mulheres, à AFP.

‘O que for preciso’

“Respeitamos o direito de todos de manter qualquer crença religiosa ou qualquer opinião que tenham sobre questões como aborto, direitos reprodutivos das mulheres, mas o que queremos que você saiba é que você pode ser você e ainda assim permitir que as pessoas tenham acesso a [cuidados] reprodutivos femininos seguros e acessíveis”, afirmou Sarsour.

Milhares também se reuniram no Texas e no Kentucky, e mais protestos estavam planejados em outras grandes cidades, além de centenas de eventos menores em todo o país.

“Neste sábado, nossos líderes eleitos nos ouvem, os membros da Suprema Corte nos ouvem, as empresas que financiaram interesses antiaborto nos ouvem”, disse Sonja Spoo, diretora de campanhas de direitos reprodutivos da organização de defesa UltraViolet, em comunicado à AFP. “Estaremos preparados para enfrentar o momento, seja protestando nas ruas, seja fazendo petições a autoridades – o que for preciso.”

O vazamento do rascunho provocou a fúria de muitos diante da possível reversão dos direitos ao aborto nos EUA, logo antes das importantes eleições de meio de mandato de novembro, quando o controle de ambas as câmaras do Congresso estará em jogo.

Os democratas pressionaram para solidificar o direito ao aborto na legislação federal, uma tentativa de barrar os republicanos nessa questão profundamente divisiva antes das cruciais eleições.

A Lei de Proteção à Saúde da Mulher, aprovada pela Câmara dos Representantes, garantiria aos profissionais de saúde o direito de fornecer abortos e às pacientes o direito de passar pelo procedimento.

‘As mulheres querem escolhas’

Mas os republicanos e um democrata no Senado dos Estados Unidos rejeitaram o avanço da medida no início desta semana.

O resultado legislativo não condiz com a opinião americana em geral: uma nova pesquisa do Politico/Morning Consult mostra que 53% dos eleitores acreditam que “Roe” não deve ser derrubada, um aumento de três pontos percentuais desde a semana passada, enquanto 58% acham importante votar em um candidato que apoia o acesso ao aborto.

Estados controlados pelos republicanos já agiram para restringir os direitos ao aborto nos últimos meses, e reverter “Roe v. Wade” daria a eles muito mais liberdade para limitar ou proibir a interrupção da gravidez.

O acesso ao aborto é tema de ativismo há muito tempo, mas o vazamento da Suprema Corte estimulou um aumento nas manifestações, inclusive em frente às residências dos juízes.

Esses protestos, em grande parte pacíficos, atraíram críticas republicanas sobre os direitos de privacidade dos membros do tribunal. Os ativistas, porém, responderam apontando os anos de protestos muitas vezes violentos do lado de fora das clínicas de aborto e das casas dos médicos que realizam o procedimento.

Muitos citaram também a decisão pendente da Suprema Corte como uma invasão de privacidade muito maior.

Em Washington, manifestantes, muitos vestidos de rosa ou carregando cartazes rosa, marcharam em direção à Suprema Corte. Alguns carregavam placas que diziam “meu corpo, minha escolha” e “mantenha suas leis fora do meu corpo”.

“É muito importante estar aqui para se posicionar e realmente dizer às pessoas que estão tomando essas decisões que as mulheres querem escolhas e querem liberdade para ter essa escolha”, disse Viesha Floyd, de 32 anos, da cidade de Waldorf, Maryland. “É importante para nós falarmos sobre isso, e a melhor maneira é através do protesto. A razão pela qual estou aqui é por essas mulheres, as futuras gerações.”

AFP

AFP Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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