Lacalle Pou pede fortalecimento do Mercosul e critica ‘ditadores’

Presidente eleito cumprimentou Bolsonaro e o argentino Alberto Fernández, que foi ignorado pelo presidente brasileiro quando eleito

O presidente eleito do Uruguai, Luis Lacalle Pou (Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP)

O presidente eleito do Uruguai, Luis Lacalle Pou (Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP)

Mundo

O presidente eleito no Uruguai, Luis Lacalle Pou, afirmou que deseja um fortalecimento das relações entre presidentes do Mercosul, e criticou os “ditadores” da América Latina – fazendo menção ao presidente Nicolás Maduro, da Venezuela.

“Teremos no Mercosul a melhor das relações com o presidente argentino, com o presidente brasileiro e com o presidente paraguaio para levantar a região”, prometeu Lacalle Pou, 46, durante um ato de comemoração da sua vitória nas eleições do domingo passado frente à governista Frente Ampla, de esquerda.

O ex-senador do Partido Nacional, de centro-direita, venceu com 48,8% dos votos o rival Daniel Martínez, que obteve 47,3%, após a conclusão, neste sábado, da apuração secundária habitual pelo Tribunal Eleitoral, que foi determinante, devido à diferença apertada de cerca de 35 mil votos entre os dois candidatos à presidência.

“Precisamos de uma região forte, com bons governos, que tenham um bom relacionamento”, disse o presidente eleito uruguaio, que assumirá em 1º de março um mandato de cinco anos.

O presidente Jair Bolsonaro telefonou para Lacalle Pou na última quinta-feira 28, afirmou o Itamaraty, para parabenizar o presidente eleito pela vitória. Alberto Fernandéz, presidente eleito da Argentina, também trocou mensagens com Lacalle Pou pelas redes sociais. Quando eleito, Bolsonaro se recusou a parabenizar Fernández por este ser da linha da esquerda argentina.

“Temos o grande desafio de fortalecer a democracia e terminar com a desigualdade em nosso continente”, escreveu Alberto Fernández. “Há muito para fazermos juntos pelo bem de nosso países”, respondeu o uruguaio, que também recebeu cumprimentos dos presidentes Martín Vizcarra, do Peru, e Marito Abdo, do Paraguai, nas redes sociais.

Apesar do tom amigável com os países latinos, Luis Lacalle Pou recuou dos apoios declaratórios do presidente brasileiro ao longo da campanha. Ele rechaçou a influência de outros líderes sob as eleições alheias, e admitiu não ser favorável à política trumpista – a qual Bolsonaro apoia desde a campanha eleitoral.

 

“Há valores que Bolsonaro expressa e coisas que ele faz que, obviamente, não vou mentir, seria hipócrita se eu dissesse que gosto. Também não gosto de (Donald) Trump. Isso não quer dizer que teremos problema. Meu dever é buscar melhorar as relações entre os povos”, declarou. “O Uruguai, por sorte, não decide sobre o que os brasileiros pensam, decide sobre o que lhe diz respeito e sobre o que os uruguaios precisam”.

O líder de uma coalizão de cinco partidos, que contempla desde a direita até a esquerda social-democrata, criticou a política externa da Frente Ampla: “Não importa o partido, nem a ideologia. Se nos guiarmos pela ideologia nas relações exteriores, não estaremos representando todo o país, e nosso interesse é de todos e cada um dos uruguaios.”

Sobre a Venezuela, porém, Lacalle Pou demonstra alinhamento com o que dizem os Estados Unidos e demais países que reconhecem o governo de Maduro como uma ditadura. Em resposta ao presidente autoproclamado Juan Guaidó, afirmou que buscará “a democracia” em seu governo.

“Está claro que, nas relações exteriores, não nos envergonharemos. Está claro o que iremos fazer: vamos chamar os ditadores de ditadores”, enfatizou o presidente eleito, que, durante a campanha eleitoral, disse que a posição do atual governo sobre a Venezuela é “uma vergonha nacional”.

*Com informações da AFP

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