Mundo
Incêndios levam milhares a deixarem suas casas na Europa
Espanha declara estado de emergência na região de Madri. França aciona mecanismo de proteção civil da União Europeia para solicitar ajuda. E, na Itália, 6 mil bombeiros combatem o fogo no sul do país
Dezenas de milhares de pessoas foram instadas a deixar suas casas nesta quinta-feira 23 devido a incêndios florestais que assolam a Espanha, a França e a Itália, ao mesmo tempo em que a Europa se prepara para a chegada de uma nova onda de calor, com temperaturas previstas de até 40 °C em algumas regiões.
Apenas no sudoeste da França, na região de Bordeaux, mais de 10 mil pessoas foram evacuadas nesta quinta em meio a um incêndio que se espalhou rapidamente e consumiu 2 mil hectares a oeste da cidade. O mesmo número de evacuados foi registrado perto da capital espanhola, Madri.
Até o momento, em 2026, os incêndios florestais já teriam queimado mais área na Europa do que a média anual das últimas duas décadas.
Em números totais, no entanto, 2025 ainda vence. Desde o começo deste ano, foram queimados quase 255 mil hectares em território europeu, em cerca de 1.250 incêndios. No ano passado, respectivamente, foram mais de 270 mil hectares e mais de 1.300 focos.
O continente, por sinal, é o que mais tem sofrido com o aquecimento global em todo o mundo – algo que especialistas atribuem principalmente às mudanças climáticas, que estariam tornando eventos climáticos extremos, como ondas de calor e os incêndios florestais, mais frequentes e mais severos.
Espanha: emergência nacional
A fim de enfrentar com mais precisão os incêndios florestais – com alguns deles totalmente fora de controle –, a Espanha declarou emergência nacional na região de Madri e na província de Ávila, próxima à capital.
A medida visa acelerar a mobilização de recursos para combater o fogo, que forçou cerca de 10 mil pessoas a evacuarem. A decisão também transfere a resposta à crise para a unidade de emergência militar das Forças Armadas espanholas, especializada em socorro durante catástrofes.
Nesta quinta, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, postou na rede social X que “o governo mobilizou todos os recursos disponíveis para conter os terríveis incêndios que atualmente afetam diversas regiões: Ávila, León, Toledo, Madri e outras partes da Espanha”.
Sánchez também visitou uma área devastada pelo fogo em Guadalajara, a nordeste de Madri, onde mais de 30 povoados foram evacuados: “Ano após ano, vemos claramente como as mudanças climáticas matam e destroem a riqueza de nossas comunidades. Isso não é política. É ciência, são fatos”, disse ele.
França: proteção civil da UE
Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o país acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia (UE) para solicitar ajuda no combate aos incêndios florestais.
“Em breve, contaremos com o apoio de duas aeronaves Canadair da Croácia, dois Air Tractors de Portugal e dois helicópteros Black Hawk de grande capacidade de carga, da República Tcheca e da Eslováquia”, postou Macron na rede social X na madrugada desta sexta-feira.
Cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas “por precaução” ao norte de Lège-Cap-Ferret, próximo ao polo turístico da Baía de Arcachon, elevando para 12 mil o número total de evacuados na região, perto de Bordeaux, no litoral oeste da França.
Os incêndios devastaram cerca de 2 mil hectares somente naquela área, segundo informações divulgadas pelas autoridades na quarta-feira.
Itália: combate ao fogo no sul
Cerca de 6 mil bombeiros, guardas florestais e agentes da proteção civil foram mobilizados em toda a Sicília após incêndios que já duram dias.
O presidente regional Renato Schifani afirmou que cerca de 50 incêndios seguem ativos, apesar do uso de aeronaves no combate ao fogo.
Na Calábria, também no sul do país, já foram registrados mais de 160 incêndios, que autoridades locais classificaram como “criminosos”, que teriam sido propagados por “indivíduos mal-intencionados” por meio de panos com material inflamável amarrados em gatos de rua.
Seca em rios
O calor e a seca tem baixado também o nível de rios nas últimas semanas. Na Romênia, o Danúbio atingiu seu nível mais baixo desde 1996, o que levou à imposição de medidas para restringir a irrigação aos agricultores e tem prejudicado a navegação comercial e o turismo.
Na Alemanha, o Reno também voltou a baixar, o que segue dificultando a navegação e aumentando o custo do transporte de cargas.
Há uma semana, o baixo nível das águas já dificultava a navegação no Reno e o transporte de mercadorias principalmente rumo ao sul das cidades de Duisburg e Colônia, como no ponto de estreitamento na cidade de Kaub, no estado da Renânia-Palatinado.
Com isso, tem sido necessário distribuir a carga em mais navios, já que a pouca profundidade não permite que as embarcações naveguem com capacidade máxima, o que, consequentemente, aumenta os custos no setor.
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