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França teve 5.764 mortes a mais em onda de calor

Número de mortes acima do normal na segunda metade de junho foi o maior desde onda mortal de 2003. Calor foi particularmente mortal para idosos acima de 75 anos, mas pessoas mais jovens também foram afetadas

França teve 5.764 mortes a mais em onda de calor
França teve 5.764 mortes a mais em onda de calor
Pedestres tentam se proteger do calor em Bordeaux, na França. O calor prossegue em julho, após temperaturas recordes no mês anterior – foto: Philippe Lopez/AFP
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onda de calor que castigou a França entre 17 de junho e 2 de julho provocou 5.764 mortes em excesso, número mais elevado desde o mortal verão de 2003, revelou nesta quarta-feira 22 a agência de Saúde Pública da França (SpF).

Metade destas mortes em excesso foi registrada em apenas três dias, entre 25 e 27 de junho, indicou a agência estatal. As mortes incluem faixas etárias mais jovens, embora dois terços das vítimas tivessem 75 ou mais.

O aumento da mortalidade por todas as causas – que ainda não pode ser atribuído com certeza ao calor – foi observado “em todos os grupos etários a partir dos 15 anos”, com “um aumento acentuado a partir dos 45 anos”, uma situação considerada “inédita” por especialistas.

Os números são semelhantes aos observados na vizinha Alemanha, também castigada pela mesma onda de calor no fim de junho, e que registrou 5.655 mortes em excesso no período. No período, a Europa Ocidental teve o mês de junho mais quente já registrado.

Comparações com onda mortal de 2003

Os dados sobre a mortalidade na França, que continuam a ser monitorados e analisados, têm suscitado um intenso debate político na França, com a oposição acusando o governo de falta de prontidão para as consequências das alterações climáticas.

O governo francês tem procurado afastar comparações com a onda de calor extremo de 2003, que deixou cerca de 15 mil mortos em excesso, muitos deles em lares de idosos.

Ainda assim, o gabinete da ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, salientou que, “apesar do episódio extremamente intenso de junho (…), o número de mortes em excesso registado é claramente inferior” ao de 2003, lembrando que a onda de calor de mais de duas décadas atrás durou cerca de três semanas, enquanto a deste ano se prolongou por 16 dias.

O especialista da SpF Guillaume Boulanger alertou, contudo, para a necessidade de prudência na comparação entre os dois episódios, separados por mais de duas décadas, devido à evolução dos sistemas de saúde e ao envelhecimento da população.

A agência estatal recordou que a recente onda de calor, que afetou grande parte da Europa, foi marcada por uma “precocidade” e uma “duração sem precedentes”, atingindo praticamente toda a população francesa num momento em que ainda havia intensa atividade escolar e profissional Antes das férias de verão.

Dois terços das mortes em excesso foram observadas entre pessoas com 75 ou mais anos, grupo particularmente vulnerável devido ao estado de saúde mais frágil.

No entanto, a mortalidade aumentou também de forma significativa entre as pessoas com idades entre os 45 e os 64 anos, com 979 mortes em excesso, o equivalente a um aumento de 55% face ao esperado para este período.

A SpF sublinhou que estes números permanecem provisórios, aguardando-se para o outono uma avaliação das mortes efetivamente atribuíveis ao calor.

Segundo a agência, é provável que o balanço venha a aumentar, uma vez que parte das mortes atualmente classificadas como dentro da mortalidade normal poderá vir a ser efetivamente atribuída às temperaturas extremas.

Na região de Paris, particularmente afetada, a mortalidade duplicou em relação ao nível habitual, com 1.999 óbitos.

As mortes aumentaram “em todos os tipos de estabelecimentos”, incluindo hospitais, lares e residências para idosos, mas “sobretudo nos domicílios”, destacou Guillaume Boulanger.

Houve ainda cerca de 300 mortes em excesso registadas durante uma primeira onda de calor do ano, entre 24 e 28 de maio, menos intensa e mais curta. A França enfrentou ainda um terceiro episódio de calor extremo em meados deste mês de julho.

Segundo os especialistas, a exposição repetida a ondas de calor provoca um desgaste progressivo do organismo, afetando em especial crianças, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e doentes crônicos.

Embora os dias de calor extremo representem apenas entre 4% e 5% dos dias do verão, eles costumam concentrar cerca de 30% das mortes atribuíveis ao calor durante a estação.

“A exposição ao calor pode ter impacto na mortalidade durante todo o verão”, salientou Guillaume Boulanger.

Em 2025, foram contabilizadas na França cerca de 1.900 mortes atribuídas ao calor durante três episódios distintos de temperaturas extremas.

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