Mundo
França investiga tratamento de Israel a ativistas de flotilha
Apuração foi aberta a pedido do governo, depois que os ativistas acusaram as autoridades israelenses de maus-tratos durante sua detenção, em maio
A França abriu uma investigação por supostos crimes de guerra e tortura relacionados ao tratamento dado por Israel a ativistas franceses que participaram de uma flotilha de ajuda destinada a Gaza, informou a Promotoria nesta sexta-feira 5.
A Promotoria Nacional Antiterrorista (PNAT) informou que a investigação foi aberta a pedido do governo, depois que os ativistas acusaram as autoridades israelenses de maus-tratos durante sua detenção no mês passado.
Israel deteve mais de 430 ativistas – entre eles 37 franceses – após interceptar as embarcações em águas internacionais em 18 de maio, quando a flotilha tentava romper o bloqueio israelense imposto a Gaza.
O ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, provocou uma onda de condenações ao publicar um vídeo no qual zombava dos ativistas da flotilha enquanto eles estavam amarrados.
A França proibiu a entrada de Ben Gvir em seu território após o incidente.
Vários ativistas franceses relataram uma experiência violenta e humilhante quando oito deles retornaram à França em 22 de maio.
Outros dois ativistas franceses que estavam a bordo da flotilha permaneciam internados em um hospital na Turquia, informaram à imprensa.
Uma das repatriadas relatou que um soldado a apalpou e deu um tapa nela em um contêiner escuro, e que temeu ser estuprada.
Outra relatou que os ativistas detidos eram obrigados a permanecer no que classificou como uma “posição de estresse”, ajoelhados com a testa no chão durante várias horas, enquanto o hino nacional israelense era reproduzido repetidamente.
Questionado pela AFP sobre as denúncias de violência física e psicológica, assédio sexual, agressões e estupros, o serviço penitenciário israelense afirmou que as acusações carecem “completamente de fundamento”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



