Mundo
FBI revista a casa de jornalista do ‘Washington Post’
Hannah Natanson cobre informações sobre funcionários do governo, particularmente afetados durante o atual mandato de Trump
O FBI (polícia federal americana) revistou, nesta quarta-feira 14, a casa de uma jornalista do Washington Post que escreveu sobre cortes de empregos federais nos Estados Unidos, uma medida que o jornal descreveu como “altamente incomum e agressiva”.
A procuradora-geral Pam Bondi disse que a revista, ordenada pelo Departamento de Defesa, faz parte de uma investigação sobre um suposto vazamento de informação confidencial relacionada com a segurança nacional.
Durante o atual mandato do presidente Donald Trump, o Pentágono impôs novas políticas restritivas para os meios de comunicação.
Em mensagem no X, Bondi afirmou que a jornalista “recebia e publicava informação confidencial e vazada ilegalmente por um funcionário terceirizado do Pentágono”.
O Post identificou a jornalista como Hannah Natanson e assinalou que agentes federais apreenderam um computador portátil de trabalho, um computador portátil pessoal, seu telefone e um relógio de sua residência na Virgínia, nos arredores de Washington.
Os agentes disseram a Natanson que ela não é o foco da investigação.
O jornal revelou que as forças de ordem investigavam Aurelio Perez-Lugones, um gestor de sistemas com autorização de segurança de nível máximo, acusado de levar para casa documentos de inteligência.
Perez-Lugones, que serviu na Marinha dos Estados Unidos de 1982 a 2002 antes de trabalhar como prestador de serviços no Pentágono, foi detido na semana passada no estado de Maryland, segundo documentos judiciais que não mencionam nenhum contato com jornalistas.
“Quem vazou está preso atualmente”, disse Bondi nas redes sociais.
“A administração Trump não vai tolerar os vazamentos ilegais de informação confidencial que, ao serem publicados, representam um grave risco à segurança nacional”, informou em sua mensagem.
Audiência na quinta-feira
Uma audiência sobre a detenção de Perez-Lugones está prevista para quinta-feira em Baltimore.
Ele é acusado de ter acessado, desde outubro de 2025, informação confidencial sem autorização e de tê-la retirado de seu local de trabalho.
Durante uma revista realizada em 8 de janeiro, os investigadores encontraram um destes documentos dentro do seu veículo, em uma lancheira e no porão da sua casa.
A jornalista Hannah Natanson cobre informações sobre funcionários do governo federal, particularmente afetados durante o primeiro ano do segundo mandato de Trump.
Em dezembro passado, a jornalista relatou no jornal como publicou seu número de telefone seguro em um fórum online, com o qual compilou testemunhos de mais de mil fontes, segundo o Washington Post.
No ano passado, o Departamento de Defesa restringiu o acesso dos veículos de imprensa dentro do Pentágono, obrigou alguns a desmontarem seus escritórios no prédio e reduziu drasticamente o número de entrevistas coletivas.
Veículos noticiosos americanos e internacionais, inclusive The New York Times, AP, AFP e Fox News, se negaram a assinar as novas normas para a mídia e tiveram retiradas suas credenciais de acesso.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Trump suspende a emissão de vistos de imigrantes para cidadãos do Brasil e de mais 74 países
Por CartaCapital
Trump diz que agirá ‘de maneira muito firme’ se o Irã executar manifestantes
Por AFP
‘Mantenham os protestos, a ajuda está a caminho’, diz Trump sobre o Irã
Por AFP



