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EUA revelam projeto de resolução para cessar-fogo imediato em Gaza

Ainda não há uma votação programada no Conselho de Segurança da ONU para discutir a iniciativa norte-americana

Bombardeios em Gaza. Foto: SAID KHATIB / AFP
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O governo dos Estados Unidos apresentou um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU para pedir um “cessar-fogo imediato vinculado à libertação dos reféns” na Faixa de Gaza, afirmou o secretário de Estado, Antony Blinken, que viaja nesta quinta-feira ao Egito para tentar negociar uma trégua entre Israel e Hamas.

“Nós temos uma resolução que apresentamos agora, que está ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que pede um cessar-fogo imediato ligado vinculado à libertação dos reféns, e esperamos sinceramente que os países apoiem”, declarou Blinken ao canal Al Hadath, durante uma visita à Arábia Saudita.

A resolução enviaria um “sinal forte”, acrescentou o chefe da diplomacia americana, que até agora vetou as outras iniciativas com pedidos de trégua apresentadas no Conselho de Segurança.

A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, vota em reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a guerra Israel-Hamas. Créditos: ANGELA WEISS / AFP

O texto, ao qual a AFP teve acesso, destaca a “necessidade de um cessar-fogo imediato e duradouro para proteger os civis de todas as partes e permitir o fornecimento de ajuda humanitária” e a libertação dos reféns israelenses.

Ainda não há uma votação programada para discutir a iniciativa.

O anúncio aconteceu durante uma viagem de Blinken pelo Oriente Médio para pressionar por uma trégua em Gaza, que começou na quarta-feira na Arábia Saudita, continuará nesta quinta-feira no Egito e o levará na sexta-feira a Israel.

A preocupação internacional aumenta diante da ameaça de fome e do crescente número de vítimas em Gaza, com os persistentes bombardeios israelenses.

“Estávamos dormindo quando ouvimos uma grande explosão. Corremos na direção da área devastada e foi como se tivesse sido atingida por um terremoto”, disse Mahmoud Abu Arar, um deslocado de Rafah, uma cidade no extremo sul de Gaza onde 1,5 milhão de pessoas estão aglomeradas.

A guerra começou em 7 de outubro com um ataque de milicianos islamistas que mataram 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram mais de 250 no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

Israel afirma que 130 reféns continuam retidos em Gaza, dos quais 33 teriam sido mortos.

Em represália, Israel iniciou uma ofensiva aérea e terrestre contra Gaza, com o objetivo de “aniquilar” o Hamas, considerado uma organização terrorista pelo governo israelense, assim como por Estados Unidos e União Europeia.

A operação militar deixou mais de 31.900 mortos, a maioria mulheres, adolescentes e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, governada pelo Hamas.

Nível crítico de fome

As ONGs e as agências da ONU alertam para o risco iminente de fome na Faixa de Gaza, em particular no norte.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que Israel bloqueia a ajuda e isso “poderia ser equivalente ao uso da fome como método de guerra”.

Israel impõe atualmente um cerco praticamente total ao território e controla de maneira minuciosa a entrada de ajuda, o que provoca a lentidão do fluxo, principalmente dos suprimentos procedentes do Egito.

“Mais de metade da população vive sob o que chamamos de ‘nível crítico de fome'”, disse Philippe Lazzarini, diretor da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA).

A Arábia Saudita anunciou na quarta-feira que vai doar 40 milhões de dólares para esta agência, que vários países deixaram de financiar depois de Israel acusar a UNRWA de empregar pessoas com envolvimento direto no ataque de 7 de outubro.

A guerra em Gaza também exacerbou as tensões na Cisjordânia ocupada, onde a Autoridade Palestiniana denunciou as mortes de cinco pessoas em dois ataques israelenses em Jenin e no campo de refugiados de Nur Shams.

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