Em meio a crise política, Fernández diz que ‘ouviu o povo’, mas pede atenção com os ‘especuladores financeiros’

Derrota nas primárias e demissão de ministros impactam o presidente argentino e a vice, Cristina Kirchner; Fernández defende 'unidade'

Presidente argentino, Alberto Fernandez, e sua vice, Cristina Kirchner. Foto: AFP.

Presidente argentino, Alberto Fernandez, e sua vice, Cristina Kirchner. Foto: AFP.

Mundo

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, usou as redes sociais nesta quinta-feira 16 para se manifestar sobre a crise política no país, que se intensificou com a significativa derrota sofrida pela coalizão Frente de Todos, de Alberto e da vice-presidenta Cristina Kirchner, para oposicionistas da Juntos por el Cambio nas eleições primárias realizadas no último domingo 12.

 

 

Na ocasião, foram escolhidos os candidatos que participarão do pleito legislativo nacional de 14 de novembro. A aliança de oposição conquistou até uma improvável vitória na província de Buenos Aires, bastião histórico do peronismo e que reúne 40% dos eleitores do país. O triunfo se deu por 37,99% dos votos contra 33,64%.

Após as primárias, cinco ministros, uma secretária e dois chefes de órgãos estatais, ligados a Cristina, pediram demissão. Apresentaram suas cartas de desligamento Eduardo de Pedro, ministro do Interior; Martín Soria, ministro da Justiça; Roberto Salvarezza, ministro de Ciência e Tecnologia; Juan Cabandié, ministro do Meio Ambiente; e Tristán Bauer, ministro da Cultura.

Nesta quinta, um dia depois de promover uma reunião na Casa Rosada – sede do governo federal -, Fernández afirmou que o governo “deve ouvir a mensagem das urnas e agir com responsabilidade”. Para o presidente, a hora é de “dar respostas e honrar o compromisso assumido com a sociedade em dezembro de 2019, não de levantar disputas que nos desviem desse caminho”.

As eleições de novembro, avalia Fernández, colocarão frente a frente dois modelos de país: “aquele que não acredita no trabalho e na produção e apenas promove a especulação financeira, e aquele que acredita que com a produção em expansão recuperaremos a dignidade do trabalho para todos”.

“Eu ouvi meu povo. A arrogância não se instala em mim. A gestão do governo continuará a se desenvolver da forma que considero apropriada. Para isso fui eleito. Farei isso chamando sempre ao encontro dos argentinos”, declarou Fernández na nota. “Continuarei a garantir a unidade da Frente de Todos, a partir do respeito que devemos uns aos outros. Já é tempo de que a nossa única obsessão seja promover a prosperidade dos homens e das mulheres do nosso país”.

 

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