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Documentos apontam plano de invasão do Exército da Argentina à Venezuela

Exercícios militares em 2019, no governo de Maurício Macri, simulavam intervenção na república bolivariana, diz site

O ex-presidente da Argentina, Maurício Macri. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-presidente da Argentina, Maurício Macri. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Um portal argentino divulgou, no domingo 14, um suposto plano de invasão à Venezuela gerido pelo governo do ex-presidente Maurício Macri, da Argentina, em 2019. O projeto se deu por meio de um exercício militar com o nome de Puma, entre abril e julho daquele ano.

De acordo com o site El Cohete a la Luna, o Exército realizou o exercício sob o comando do general Juan Martín Paleo, que é chefe do conjunto das Forças Armadas desde março de 2020. Segundo o site, a investigação está baseada em relatórios vazados da inteligência militar argentina.

O plano coincidiu com o período em que a Casa Branca, então chefiada por Donald Trump, decidiu reconhecer Juan Guaidó como autoproclamado presidente interino da Venezuela. Na época, Macri anunciou apoio a Guaidó nas redes sociais e clamou por “democracia” na Venezuela.

O veículo informou que a primeira sessão conduzida por Paleo ocorreu em 15 de abril de 2019, dias antes da Operação Liberdade, liderada por Guaidó para se anunciar como novo chefe de Estado no lugar de Nicolás Maduro.

No exercício Puma, havia três alternativas de vias para invadir a Venezuela. A primeira era pelo “Marítimo del Mar Argos”, ao norte do mar do Caribe; a segunda, pela fronteira com o Brasil, no estado de Roraima; e a terceira, pela fronteira com a Colõmbia, na cidade de Cúcuta.

Um mapa reproduzia territórios da América do Sul com nomes fictícios. O subcontinente ganhou o nome de “Patagônia do Sul”; o local do conflito, a Venezuela, era chamado de “Vulcano”, e suas autoridades conflitantes eram as siglas NM e JG, iniciais de Maduro e Guaidó; alguns países ao redor também ganharam nomes “fantasia”, como o Brasil (“Febo”) e a Colômbia (“Ceres”).

O almirante americano Craig Faller chegou a visitar Buenos Aires em junho daquele ano, mês em que as Forças Armadas da Argentina realizavam a quarta, a quinta e a sexta sessão das atividades. No total, foram sete sessões, ocorridas na base militar Campo de Mayo e por videoconferência com militares de Córdoba e La Pampa.

Em sua conta no Twitter, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, repudiou o plano militar.

“Revelador! Começam a aparecer aspectos tantas vezes denunciados na época. É a peça da equação imperialista forjada a partir do enfoque multidimensional que faltava no esquema de agressão contra a Venezuela”, escreveu o oficial bolivariano. “Ontem não puderam! Não poderão nunca!”, exclamou.

https://twitter.com/vladimirpadrino/status/1493283558999396355

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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